Série retrata a rotina de presidiários famosos dentro da penitenciária (Divulgação/Prime Video) A série Tremembé faz uma imersão na rotina de presidiários da Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, mais conhecida como Penitenciária II de Tremembé ou Presídio dos Famosos. Localizada na cidade de Tremembé, no interior de São Paulo, a instituição carcerária ganhou notoriedade ao abrigar criminosos como Suzane von Richthofen, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, Alexandre Nardoni, Anna Carolina Jatobá, o médico Roger Abdelmassih, Elize Matsunaga, entre outros. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Todos são retratados na série em uma trama que mescla fatos e ficção para efeito de dramatização. A produção, do gênero true crime, é baseada nos livros-reportagens Elize Matsunaga: a mulher que esquartejou o marido e Suzane: assassina e manipuladora, escritos pelo jornalista Ulisses Campbell. Ulisses é um dos roteiristas ao lado de Vera Egito, que também dirige a série junto com Daniel Lieff. Suzane é a personagem central e sua história se conecta às dos demais ao longo de cinco episódios. Tremembé estreou no streaming no dia 31 e já é a série mais vista e comentada desde então. A produção é da Amazon Prime Video e da Paranoid Filmes. Mas, qual é a razão do fascínio do público? Afinal, a série remonta aos crimes hediondos que chocaram o Brasil, reconstituindo a barbárie com riqueza de detalhes, por exemplo, dos assassinatos do casal Richthofen, Isabella Nardoni e Marcos Matsunaga. Embora muitos questionem a própria moral quando se sentem atraídos por consumir esse tipo de entretenimento, o fato é que são levados pela curiosidade em saber como funciona a mente de um psicopata — habilmente manipulador e desprovido de empatia — e como é a vida dentro de um presídio. Ao retratar a rotina desses criminosos famosos, a série não foge à regra de qualquer roteiro do gênero. Humaniza, carrega na tensão, emoção, paixão, medo e ira dos criminosos em situações-limite, mas não os absolve. A dose de humanização é mais branda do que se vê, por exemplo, em Carandiru (2003), o filme de Héctor Babenco baseado no livro do médico Drauzio Varella que dá a versão dos presos. A obra retrata o massacre cometido na Casa de Detenção de São Paulo em 1992, com 111 detentos mortos. Tremembé reforça que nenhum dos personagens reais retratados se arrepende, tem remorso ou sofre pelo mal que fizeram aos outros. Na trama, eles lamentam apenas a privação de liberdade. As cenas em que os personagens são submetidos ao teste de Rorschach ilustram os traços de psicopatia deles. Nesse tipo de avaliação psicológica, pranchas com manchas de tinta são mostradas à pessoa e ela tem que descrever o que vê, o que acha que parece. O diagnóstico é feito a partir das respostas. Tremembé é um thriller dramático e envolvente ambientado no período em que os criminosos são beneficiados com a saída temporária, conhecida como saidinha. Essa é a grande questão que os realizadores colocam para reflexão, pois todos conhecemos os seus crimes e eles foram contemplados com a liberdade, ainda que limitada, no âmbito da lei. A caracterização dos personagens e as atuações dos atores são os pontos altos da produção. A série ainda deixa lastro para uma segunda temporada, podendo aprofundar os históricos de outras personagens como Poliana, Dadá, Lindemberg Alves (Caso Eloá) e Gil Rugai, além de seguir com os desfechos para Suzane e Elize Matsunaga. Assista Tremembé. Eu recomendo. Boa semana!