Cuba ampla e torneira de bica alta ampliam a área útil de trabalho e facilitam a higienização de utensílios maiores. Além disso, a calha úmida integrada à bancada concentra acessórios de uso frequente e libera espaço para o preparo dos alimentos (Gustavo Awad/Divulgação) A torneira costuma ser instalada apenas na etapa final da obra, mas sua escolha precisa acontecer muito antes. O modelo interfere na infraestrutura hidráulica, na posição dos pontos de água e até na necessidade de alimentação para água quente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para a arquiteta Juliana Faria, o primeiro passo é entender como a cozinha será usada. “Antes de pensar no modelo, no acabamento ou na estética, é importante entender como aquela cozinha será utilizada. Uma família que cozinha todos os dias tem necessidades diferentes de quem usa o ambiente apenas ocasionalmente”. Bancada ou parede? A escolha entre torneira de bancada ou de parede não é apenas estética. Ela influencia a execução hidráulica e futuras manutenções. Juliana afirma que, em seus projetos, a preferência é pelas torneiras de bancada, que oferecem maior variedade de modelos e facilitam a composição com a marcenaria. As torneiras de parede aparecem principalmente em espaços reduzidos ou em reformas que aproveitam pontos hidráulicos já existentes. A altura da bica também merece atenção. Um modelo muito baixo dificulta a lavagem de panelas grandes; já uma bica excessivamente alta pode provocar respingos. Como referência, uma distância de aproximadamente 30 centímetros entre a saída de água e o fundo da cuba ajuda a equilibrar conforto e controle dos respingos. Bicas flexíveis ou articuladas são outra alternativa para ampliar o alcance do jato e facilitar a limpeza da cuba e de utensílios maiores. Monocomando Entre os modelos mais procurados está o monocomando, que permite controlar vazão e temperatura com uma única alavanca. Para funcionar bem, porém, é preciso que a infraestrutura seja compatível. “Quando existe aquecimento central ou a gás chegando até a cozinha, o monocomando oferece bastante conforto porque permite regular a temperatura rapidamente. Se essa preparação não existe, outras soluções podem fazer mais sentido”. Quando não há alimentação de água quente, uma alternativa é instalar um aquecedor elétrico sob a bancada, que aquece a água apenas daquela torneira. “É uma solução muito mais interessante do que recorrer às torneiras elétricas tradicionais”. A pressão da água também deve ser observada. Alguns monocomandos precisam de pressão mínima para funcionar corretamente. Em imóveis com caixa-d’água próxima à cozinha, pode ser necessário recorrer a um pressurizador ou escolher modelos específicos para baixa pressão. Calha úmida Outro recurso que ganhou espaço nas cozinhas planejadas é a calha úmida. Instalada junto à cuba, ela recebe escorredores, porta-talheres, suportes para temperos e outros acessórios, mantendo a bancada mais livre. “Ela contribui para a organização da área molhada e reduz a necessidade de espalhar acessórios pela bancada. Para quem utiliza bastante a cozinha, faz diferença na rotina”. A solução, no entanto, exige planejamento. Quando instalada atrás da torneira, pode demandar uma bancada de cerca de 75 centímetros de profundidade, acima dos 55 a 60 centímetros de uma bancada convencional. Por isso, em cozinhas estreitas, uma alternativa é posicioná-la na lateral da cuba. Também é preciso considerar que a calha ocupa parte do espaço interno do gabinete. Pot filler: vale a pena? A torneira instalada sobre o fogão, conhecida como pot filler, é outra solução que vem ganhando espaço. Com braços articulados, permite abastecer panelas diretamente sobre o cooktop e pode facilitar a rotina de quem cozinha com frequência. Segundo Juliana, até cerca de cinco anos atrás era difícil encontrar o produto no mercado nacional. Com o aumento da procura, fabricantes brasileiros passaram a produzir seus próprios modelos. “Quem prepara refeições com frequência utiliza panelas grandes ou busca mais ergonomia costuma perceber vantagem. Em outras rotinas, pode acabar sendo um elemento pouco utilizado”. Como precisa de um ponto hidráulico exclusivo na parede do fogão, a pot filler deve ser prevista durante o projeto. Instalar o sistema depois da obra pode exigir quebra de revestimentos e alterações na infraestrutura. Lavanderia Na lavanderia, as prioridades mudam. O ambiente precisa acomodar baldes, mangueiras, produtos de limpeza e recipientes maiores. Por isso, são comuns torneiras com bicas mais altas, maior alcance ou instalação na parede, que libera espaço na bancada. Na lavanderia abaixo, a torneira de parede libera a bancada e facilita o uso com baldes e outros recipientes maiores (Gustavo Awad/Divulgação)