Susan Sarandon e Geena Davis foram indicadas ao Oscar em 1992 (Divulgação) Duas amigas, uma garçonete e uma dona de casa, decidem sair para pescar em um fim de semana. Um programa pitoresco para mulheres, mas muito comum entre os homens. O plano era descansar de suas rotinas extenuantes e entediantes e de seus homens naturalmente machistas. Elas queriam escapar, ao menos por dois dias, dos grilhões do sistema, de uma cultura enraizada no machismo que prega que a mulher nasce para servir aos homens e à casa. Mas essas mulheres já dão sinais claros de rebeldia contra o status quo. Elas pintam os cabelos cacheados de ruivo, usam batom vermelho, têm espírito livre e desejam liberdade. Então, Louise (Susan Sarandon), a garçonete, uma mulher forte e independente, busca sua amiga Thelma (Geena Davis), dona de casa bela, sensual e submissa ao marido Darryl (Christopher McDonald), em seu Ford Thunderbird 1966 conversível. Elas registram uma selfie com uma câmera Polaroid e, com sorrisos largos, partem para a aventura. Louise deixa a casa arrumada, impecavelmente limpa — dá até para imaginar o perfume de lavanda no ar — enquanto Thelma deixa a comida no micro-ondas com um bilhete para o marido, que não permitiria sua saída caso ela pedisse permissão. A mesa do estereótipo é posta pelo diretor Ridley Scott apenas para contrastar com a história extraordinária que virá a seguir. Assim é introduzido o clássico cult Thelma & Louise, que completou 35 anos de lançamento. Com roteiro vencedor do Oscar escrito por Callie Khouri, o filme estreou nos cinemas em 24 de maio de 1991 com um objetivo: tornar-se um marco no cinema. Foi o primeiro road movie protagonizado por duas mulheres que cruzam as estradas áridas do deserto dos Estados Unidos dispostas a tudo, custe o que custar. A trama constrói uma crítica social contundente ao machismo e presta um tributo honesto e genuíno às mulheres. Thelma & Louise é um manifesto feminista. Voltando à trama, Thelma sofre uma tentativa de estupro logo no início da viagem e o agressor é morto a tiros por Louise. Isso muda radicalmente o destino da dupla. Em fuga para o México, Thelma e Louise acabam se envolvendo em outros crimes, incluindo o assalto a um mercado, a explosão de um caminhão-tanque e o roubo da arma de um policial. Apesar da gravidade da situação, elas contam com um aliado improvável: o detetive Hal Slocumb (Harvey Keitel), que as vê como vítimas levadas ao crime por homens desajustados. Um deles é o ladrão J.D., interpretado por Brad Pitt em seu primeiro papel de destaque no cinema. J.D. se envolve amorosamente com Thelma e rouba o dinheiro de Louise, entregue a ela pelo namorado Jimmy (Michael Madsen). Para compensar a amiga e conseguir dinheiro para a fuga, Thelma assalta um mercado. O filme costura drama, ação, tensão e emoção, amplificados pela trilha sonora singular de Hans Zimmer. O compositor cria aqui uma obra melancólica e quase etérea, marcada por sintetizadores que ecoam liberdade, solidão e perigo. A trilha traduz o estado emocional das protagonistas, tentando respirar em meio a um mundo hostil. Susan Sarandon e Geena Davis foram indicadas ao Oscar de Melhor Atriz, enquanto Ridley Scott concorreu ao prêmio de Melhor Diretor, consolidando a excelência da produção. O filme teve seis indicações e ganhou por Melhor Roteiro, em 1992. Thelma & Louise tornou-se símbolo do feminismo ao retratar, sem filtros, violência sexual, misoginia, abuso psicológico e desigualdade de poder entre homens e mulheres. O desfecho trágico e emblemático remete à escolha de duas mulheres que assumem o controle da própria trajetória contra o mundo. Atual, impactante e emocionante! Veja no Prime Video. Boa semana!