(Adobe Stock) O avanço da medicina genética tem ampliado as estratégias de prevenção do câncer de mama. O sequenciamento genético de nova geração (NGS) permite analisar simultaneamente múltiplos genes a partir de uma amostra de sangue ou saliva e identificar mutações hereditárias associadas ao aumento do risco da doença, como nos genes BRCA1 e BRCA2. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), alterações nesses genes estão relacionadas a um risco significativamente maior de câncer de mama e de ovário ao longo da vida. A identificação precoce dessas mutações possibilita um acompanhamento mais rigoroso e a adoção de estratégias preventivas individualizadas. Apesar dos avanços, especialistas alertam que o teste genético não deve ser utilizado como rastreamento de rotina para todas as mulheres. A investigação costuma ser recomendada principalmente quando há histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, diagnóstico da doença em parentes antes dos 50 anos, múltiplos casos de câncer na família, ocorrência de câncer de mama em homens ou presença de tumores bilaterais ou recorrentes. Nesses contextos, o exame pode trazer informações relevantes para orientar a conduta médica. Quando uma mutação é identificada, o acompanhamento pode incluir início mais precoce do rastreamento, associação da ressonância magnética à mamografia anual, discussão sobre medidas preventivas e planejamento individualizado das condutas clínicas. “O teste genético nos permite antecipar riscos e personalizar o cuidado. A informação genética não determina um destino, mas orienta decisões mais seguras”, explica o mastologista Rodrigo Freitas. Entre as dúvidas mais frequentes está a relação entre risco aumentado de câncer de mama e terapia de reposição hormonal na menopausa. Atualmente, a conduta é individualizada. O conhecimento do perfil genético pode auxiliar na avaliação do risco-benefício, mas não significa que a reposição hormonal esteja automaticamente contraindicada. Cada caso deve ser analisado de forma criteriosa, considerando histórico familiar, idade, intensidade dos sintomas e acompanhamento médico regular. Especialistas reforçam que o teste deve ser precedido por avaliação médica e, sempre que possível, por aconselhamento genético. O resultado pode gerar impacto emocional e exige interpretação técnica adequada. Também é importante lembrar que o exame não substitui a mamografia, que um resultado positivo não significa que a mulher necessariamente desenvolverá câncer e que um resultado negativo não elimina completamente o risco. Além disso, hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais na prevenção. A medicina personalizada representa um avanço importante na saúde feminina. Quando bem indicado, o teste genético amplia as possibilidades de prevenção e diagnóstico precoce. No entanto, sua indicação deve ser criteriosa e baseada em evidências, evitando exames desnecessários. A prevenção começa com informação e com acompanhamento médico responsável ao longo de todas as fases da vida da mulher.