Entre curtidas e comentários, o espetáculo do sofrimento ganha audiência (Adobe Stock) Quais formatos, materiais e estilos estão em alta na decoração de interiores? A arquiteta Elisa Maretti traça um panorama atual do universo dos tapetes e revela como eles vêm conquistando protagonismo nos projetos residenciais. Eles deixaram de ser meros coadjuvantes na decoração. Hoje, os tapetes assumem um papel central na composição dos ambientes, trazendo cor, textura e personalidade para salas, quartos, escritórios e até cozinhas. A busca por conforto e bem-estar se reflete desde o piso — e os tapetes são peça-chave nesse movimento. Para a arquiteta Elisa Maretti, o conforto visual e tátil é o novo luxo. “Cada vez mais surgem tapetes com recortes inesperados, mistura de materiais e combinações entre cores neutras e tons vibrantes que surpreendem”. Elisa observa que o uso de tons e materiais naturais aparece como uma resposta ao ritmo acelerado das cidades. Tapetes refinados e coloridos ajudam a romper com a monotonia do cinza urbano e criam atmosferas mais leves, acolhedoras e expressivas. Texturas que provocam os sentidos Mais do que beleza, os tapetes atuais querem provocar sensações. “Uma tendência forte é o uso do mesmo fio com cortes em diferentes alturas, criando texturas e desenhos sem mudar de material. É uma solução discreta, elegante e atual”. Tramas artesanais, relevos e contrastes sutis entre matérias-primas transformam o tapete em uma experiência não apenas visual, mas também tátil — perfeita para ambientes que priorizam o conforto e a imersão sensorial. Formas orgânicas e tons terrosos Sim, eles seguem em alta, mas com mais critério. “É preciso saber onde e como usar, em vez de simplesmente aderir por estar na moda. Entender o contexto do ambiente, o estilo do morador e os elementos que compõem o espaço é essencial para escolher o tapete ideal”, analisa Elisa. A arquiteta recomenda visitar mostras e showrooms como forma de ampliar o repertório e descobrir referências que dialoguem com a essência de cada lar. Ainda assim, segue apostando nas formas orgânicas, que trazem movimento, e nos tons terrosos, que evocam o natural, o quente e o humano. Sustentabilidade e estilo podem andar juntos A escolha de um tapete hoje também leva em conta o impacto ambiental. Elisa destaca a importância da durabilidade e da composição das peças, dando preferência a materiais naturais, reciclados e de fácil manutenção. “Existem marcas que utilizam fios de náilon feitos a partir de redes de pesca retiradas dos oceanos. Além de ecologicamente corretos, resultam em tapetes extremamente resistentes”. Ela também valoriza os modelos artesanais: “Eles trazem autenticidade, história e conexão com o ‘feito à mão’. Além disso, consomem menos energia e geram menos resíduos”. Como ousar sem errar? Para fugir do óbvio, Elisa sugere explorar formatos não convencionais, sobreposições e até tapetes que avancem pelas paredes ou transitem entre ambientes. “O tapete pode (e deve!) surpreender”. Segundo ela, propostas ousadas, que despertam os cinco sentidos e criam uma sensação de aconchego e desconexão do mundo exterior, são cada vez mais bem-vindas. “Estamos vivendo um momento em que acolhimento e personalidade fazem toda a diferença”.