(Divulgação/AppleTV) A Apple TV+ é um serviço de streaming para se prestar sempre muita atenção. Mesmo que não alcance todos os usuários, já que só funciona em aparelhos da própria Apple ou em smart TVs, a qualidade de suas produções originais é de nível tão alto que é impossível ficar imune. Estou acompanhando a recém-lançada Sunny, série incrível que mescla com maestria suspense (e até um tantinho de terror), drama e comédia, na história que gira em torno de uma mulher que perdeu o marido e o filho em um desastre de avião e que, em meio ao luto, tem que lidar com uma robô movida a inteligência artificial (IA), com a profissão e a empresa do falecido marido, que parece ser bem diferente do que ele contava em casa, e até com a forte possibilidade, inclusive, dele não ter morrido. A protagonista é Suzie Sakamoto (Rashida Jones, de Parks and Recreation), uma irlandesa que vive no Japão em algum momento não especificado do futuro. Quando a série começa, o avião já caiu e tudo o que ela tem são lembranças do marido e do filho pequeno, que ainda não foram encontrados entre as vítimas. Ela, aparentemente, não gosta de tecnologia, não se dá bem com a família japonesa do marido e não sabe lidar com toda aquela situação, para ela bastante surreal. Mas alguns avisos de que as coisas podem não ser exatamente o que ela imagina começam a pipocar. O primeiro se dá durante uma dinâmica com as famílias das vítimas com um psicólogo. Ele pede a cada uma para ligar ao parente falecido para ouvir sua voz na secretária eletrônica, o que funciona pra para todos, mas que, na vez dela, dá errado: o telefone toca, ao invés de cair na caixa postal, o que sugere que ele não foi destruído. Ao voltar para casa, é surpreendida por um representante da empresa de alta tecnologia para a qual o marido trabalhava, supostamente na divisão de refrigeradores. Ele foi até lá para lhe dar um presente: uma androide programada pelo próprio marido, capaz de expressar sentimentos e de se comunicar com impressionante destreza e inteligência e que tem um único objetivo (assumido) em sua existência: fazer Suzie feliz. Mas tudo o que ela pensa é em como o marido havia programado um robô tão avançado se trabalhava com geladeiras… Suzie se dedica, então, a algumas missões: infernizar a sogra com as evidentes diferenças culturais e de visão entre as duas; se livrar da companhia robótica (falha miseravelmente e inclusive se aproxima dela) e descobrir quais são os segredos escondidos pelo marido; além de quais são a missão e os segredos da empresa para a qual ele trabalhava. Estabelece-se, então, aquele jogo que não é novo mas que aqui é tratado com muita ousadia: ninguém é o que parece ser (nem mesmo a sogra), nada do que é dito pode ser assumido como verdade, testemunhar um fato não significa que ele tenha acontecido, ao menos como você o presenciou. E a coisa toda te envolve. Você assiste torcendo pela protagonista, se emociona com a robozinha japonesa, ri até quando não deve rir e também sente medo, até pela reflexão de que podemos não estar tão distantes de uma realidade como a criada no show. É a partir e em torno disso que se desenrolam os dois primeiros episódios, que já estão disponíveis no serviço. Tudo chama a atenção, da produção caprichada ao roteiro que nasceu ótimo e ganha vida na pele, olhares e vozes de grandes atores. O clima é bem parecido com o de outra série da Apple - Ruptura - mas ao contrário desta, Sunny tem momentos de puro humor que são fundamentais para dar uma respirada em meio à tensão crescente. Sunny é uma adaptação do livro The Dark Manual, lançado pelo escritor irlandês Colin O’Sullivan, que vive no Norte do Japão e trabalha como professor de inglês. Serão 10 episódios, lançados semanalmente, às quartas-feiras. Uma das séries mais intrigantes e cativantes que assisti nos últimos tempos. Boa o suficiente para assinar o serviço e até aguentar o desconforto de assisti-la no browser. Vale a pena conferir se você gostar dos gêneros que a envolvem!