Série recria saga da Seleção rumo ao tricampeonato na Copa do Mundo (Reprodução/Netflix) Elenco convocado. Os melhores entre os melhores. Apita o árbitro. Começa o jogo. É a hora do show, ou melhor, do gol. Daquele “gol de placa” que entra para a história. Assim é Brasil 70: A Saga do Tri. A minissérie marca um golaço no coração porque a gente passa de espectador a torcedor de cara. Logo no início, ângulos de câmera e um plano-sequência espetacular nos dão a ilusão de que estamos entrando em campo junto com o escrete canarinho, ao som da torcida e de uma trilha sonora épica. Clima de estádio. Coisa de craque. E também de cinema. Afinal, Brasil 70 não apenas conta a história do futebol-arte tricampeão; encontra uma maneira de jogá-lo novamente na tela. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Criada pelos roteiristas Naná Xavier e Rafael Dornellas e dirigida por Pedro Morelli, Paulo Morelli e Quico Meirelles, a minissérie da Netflix, em parceria com a O2 Filmes, retrata, em cinco episódios, a trajetória do time tricampeão mundial no México a partir dos bastidores. É uma obra de ficção que incorpora imagens de arquivo e eventos reais, como a troca de técnicos da Seleção às vésperas da Copa, lances históricos das partidas e o contexto da ditadura militar. Para o elenco foram escalados Rodrigo Santoro no papel do jornalista e ex-treinador João Saldanha, Bruno Mazzeo como Zagallo, Lucas Agrícola como Pelé, além de nomes como Marcelo Adnet (Eusébio Teixeira), Ravel Andrade (Tostão), Lara Tremouroux (Rosa) e Julia Stockler (Thereza Bulhões). As atuações jogam no mesmo nível da história que representam. Lançada em 29 de maio, às vésperas da Copa do Mundo de 2026, a produção prima pela reconstituição da ambientação de 1970, do figurino, da caracterização dos personagens, das gírias, do vocabulário próprio do futebol da época e, principalmente, dos lances em campo. Algumas das jogadas históricas foram reproduzidas pelos atores com notável fidelidade e habilidade, captadas por câmeras de última geração em constante movimento. Os passes, dribles e arrancadas são filmados como se cada lance fosse uma cena decisiva de ação. O resultado é uma coreografia cinematográfica à altura da lenda que pretende retratar. A sensação é de estar dentro do jogo: o espectador praticamente corre ao lado dos jogadores, acompanhando alguns dos momentos mais emblemáticos da Copa de 1970. Nesse quesito, os óculos 3D perdem de goleada para a tecnologia empregada. Vale destacar que o esquema tático da série não está de brincadeira quando uma das estratégias é a nostalgia. Além de incluir o famigerado tabuleiro de jogos de botão, popularmente conhecido como “Estrelão”, que Zagallo usava para explicar o esquema de jogo aos atletas, os episódios contam com uma dose generosa de emoção embalada por canções como Pra Frente Brasil, de Miguel Gustavo, que serve de trilha sonora da sequência que contrasta o Brasil da Copa com o Brasil da ditadura; Brasileirinho, de Waldir Azevedo; Aquarela do Brasil, de Ary Barroso; e Alvorada, de Cartola. A visita de Wilson Simonal à concentração da Seleção Brasileira no México também é lembrada. A trilha sonora original, produzida pela Ambulante Music e assinada por Beto Villares, Érico Theobaldo e Fil Pinheiro, dá o tom épico à memória do time tricampeão. É a construção da jogada que antecede o grito de gol. Já o texto, sem papas na língua, sem filtros e na medida exata entre o drama, a comédia e a esperança, é a cereja do bolo. Nesse esquema tático, atua como um camisa 10 à moda de Pelé: organiza o jogo, enxerga espaços invisíveis aos demais e distribui emoção com precisão. No fim das contas, é ele quem transforma memória em espetáculo. Como a Seleção de 1970 transformou futebol em arte, a série transforma essa arte em cinema. Boa semana!