Carolina Belarmino (Phil Sharp/Divulgação) A trajetória de Carolina Belarmino parece roteiro pronto: uma brasileira que foi a Londres estudar arte floral, acabou nos bastidores de grandes produções e, entre arranjos e cenários, redescobriu um sonho antigo — atuar. O que começou como trabalho de florista nos sets de Bridgerton se transformou em uma virada de carreira que a levou ao elenco de apoio de produções como The Crown, House of the Dragon e Saltburn. Agora, em seu primeiro projeto autoral, o curta Doma, a atriz, roteirista e produtora mergulha nas próprias raízes de São José do Rio Preto (SP), onde nasceu, para contar uma história íntima ambientada no interior, onde cavalos, memória e afeto desenham uma narrativa de coragem silenciosa e pertencimento. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como surgiu a oportunidade de trabalhar como florista nos bastidores de Bridgerton? Em que momento você percebeu que aquilo poderia se transformar em uma virada de carreira? A empresa que faz as flores precisava de floristas e uma colega me indicou. Eu aceitei o trabalho sem saber para que produção seria e foi somente ao chegar nos sets que descobri que era Bridgerton. Acabei trabalhando com eles por alguns meses, até o final da segunda temporada. Em quais episódios ou temporadas de Bridgerton você participou e como foi a transição dos bastidores para o elenco de apoio da série? Trabalhei na metade da segunda temporada como florista e em um episódio da terceira temporada como elenco de apoio. A transição foi engraçada, porque algumas pessoas com as quais trabalhei por meses não me reconheceram com o figurino de imediato. Também foi engraçado ver outros fazendo o trabalho que eu fazia e não poder palpitar ou oferecer ajuda. Depois de Bridgerton, como vieram os convites para outras grandes produções, como The Crown, House of the Dragon e Saltburn? O que é mais desafiador para quem trabalha como elenco de apoio e figuração? Eu assinei com algumas agências de figuração em Londres e a partir daí fui selecionada para diversas produções. Quanto mais trabalhos você faz, mais eles te chamam porque sabem que podem contar com você. O mais desafiador são as longas horas de trabalho, é muito comum ter dias de trabalho que duram mais de 13 horas no set. Você já contracenou ou esteve próxima de atores muito famosos nesses sets. Algum encontro ou bastidor te marcou especialmente? O que posso dizer é que em Doma contracenei com Wilson Rabelo e Vanderlei Bernardino e foi uma das melhores experiências. Ter dois veteranos contracenando e te oferecendo todo o apoio de forma extremamente generosa foi incrível. Como é a experiência de trabalhar como florista em Londres? Para que tipos de eventos inusitados ou luxuosos você já produziu arranjos florais? Londres é uma das capitais do mundo floral. A cultura de flores na cidade é muito grande, então tem sempre alguma coisa acontecendo. Como florista de eventos, eu trabalhei em muitos museus, palácios e igrejas históricas que jamais imaginei. Fiz casamento de celebridades, casamentos em museus como a National Gallery, set de filmagem em palácios como o Hampton Court Palace e estreias de filme. Como começou sua trajetória como florista no Brasil e o que te levou a estudar arte floral na London Flower School durante a pandemia? Eu trabalhava com eventos e decidi que queria me tornar decoradora de casamentos. Mas queria ter minha própria assinatura, o que significava que fazer meu próprio design floral e não contratar alguém que talvez não fizesse o projeto exatamente como eu queria. Fiz cursos na Escola Brasileira de Arte Floral e a partir daí comecei a elaborar meus projetos de casamentos. Durante a pandemia, tudo foi cancelado ou adiado, então peguei essa oportunidade para me especializar e realizar o sonho de morar fora, mesmo que por apenas dois meses, para voltar e poder oferecer ainda mais para as minhas noivas. Quando fui para Londres, tive que seguir as regras de quarentena em hotel e depois pude estudar. Mas o Brasil entrou na lista vermelha de viagens e eu não consegui voltar depois dos dois meses. Acabei ficando. O curta Doma, que você vai lançar, nasceu de uma vontade de afirmar sua brasilidade no exterior. O que você acha que o cinema internacional ainda não conhece sobre o Brasil que você quis mostrar nesse filme? Conversando com amigos estrangeiros, vi que todos têm a visão do Brasil como o país do Carnaval, futebol e Amazônia. O que é superválido, porque o Brasil também é isso, mas não só isso. O Brasil é tão diverso que daria para fazer milhares de filmes sobre temáticas diferentes e ainda afirmar a brasilidade em cada um deles. Quis mostrar o lado de onde eu cresci, longe da praia, perto do campo, com cavalos, gado e rodeios, que não vi ser representado lá fora. Se pensam em cavalos e rodeios, pensam logo em Texas e nem imaginam que temos esse mundo por aqui. A relação com a égua Malibu foi central para o filme. Como foi voltar a montar depois de tantos anos e criar essa conexão para a câmera? Foi incrível. Antes do filme treinamos juntas, pois era preciso praticar as manobras dos três tambores que eu já não lembrava mais. O treinador Manelão foi o responsável por escolher a Malibu para o filme e eu confiei totalmente nele, o que foi decisivo porque ela foi muito paciente durantes os takes, que muitas vezes levaram horas de repetição. Você escreveu, produziu e protagonizou o projeto. O que foi mais difícil nesse processo autoral: atuar, produzir ou tirar a ideia do papel? Produzir foi, sem dúvidas, a parte mais difícil. Eu sou uma pessoa bem detalhista e quero tudo da maneira mais correta possível. Então ter que me desligar do papel de produtora e focar na atuação durante as cenas foi algo que exigiu muito de mim. Eu também tive assistentes de produção maravilhosos que me ajudaram muito nesse processo durantes as gravações e que eu pude confiar que iriam tomar as melhores decisões por mim. O filme nasceu como um projeto de longa-metragem e virou um curta. Quais camadas dessa história você ainda sonha em explorar em uma versão maior? Acho que essa história tem muito a ser explorada e que o universo do filme comporta novas camadas, personagens e conflitos. Quero desenvolver as relações já existentes no filme, mostrar um pouco do passado desses personagens e porque a égua Doma é tão relevante para Mariana. Como você se imagina nos próximos anos na carreira internacional? Vamos levar Doma para o circuito internacional de festivais e espero me conectar com diferentes públicos e oportunidades. Meu objetivo é trabalhar de forma constante no mercado internacional, participando de grandes produções e também de projetos autorais.