Clarence Maclin e Colman Domingo em cena do longa Sing Sing (Divulgação/Diamond Films) Sing Sing, dirigido Greg Kwedar, é a grande surpresa da temporada, não apenas pela excelência da obra, mas por escalar ex-presidiários para o elenco interpretando a si mesmos. Ex-integrantes do programa Reabilitação Através das Artes (Rehabilitation Through the Arts, RTA), eles atuam no filme como o fizeram nas peças realizadas na prisão Sing Sing, no Estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O longa-metragem tem uma narrativa comovente sobre o poder do teatro transformando vidas pelo caminho mais curto e mais certo, o da valorização da dignidade, explorando as qualidades e os talentos de pessoas marginalizadas por meio da expressão artística. Mas, para além de um enredo inspirado em fatos, projetar a história real in natura, com personagens reais, rendeu ao filme três indicações ao Oscar: Melhor Ator para Colman Domingo, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original, com Like a Bird. A trama é centralizada nos dramas pessoais de Divine G, a quem Colman Domingo dedicou todo o seu carisma e talento, e Clarence Divine Eye Maclin, um ex-detento que representa a si mesmo com maestria. Enquanto G busca um novo sentido para viver atuando e escrevendo peças para o RTA, Eye é a ilustração máxima da reforma íntima, evoluindo de um temido criminoso que extorquia presos e traficava dentro da instituição para um homem regenerado, pronto para construir uma vida nova longe do crime. Apesar de ser ambientada em uma prisão, a trama se desenrola de forma leve, com algumas nuances dramáticas balizadas apenas na carga emocional dos personagens, sem violência. Algumas curiosidades tornam Sing Sing ainda mais especial. As cenas em que detentos fazem testes para atuarem nas peças da RTA são imagens reais de suas audições durante a seleção de elenco para o filme; todos da produção ganharam o mesmo salário, do cargo mais alto ao mais baixo; e, além disso, o filme alcançou um feito inédito e histórico ao estrear em cinemas e prisões simultaneamente nos EUA, no último dia 17 de janeiro. Crucial na RTA, o diretor de teatro Brent Buell ensinou detentos a atuar por 10 anos em Sing Sing, oferecendo a eles uma espécie de terapia pela arte. Ex-voluntário, ele declarou que se sente “mais em casa dentro da prisão do que em um palco em Nova Iorque”. O ator Paul Raci, de O Som do Silêncio, resgatou, em cena, a entrega de Buell, reverberando ainda mais a carga emocional. Aviso: Sing Sing provoca nó na garganta e lágrimas. Nota da crítica: +++++ Votação do Oscar continua A votação final do Oscar 2025, que teve início no último dia 11, terminará nesta terça-feira. Dez mil membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas elegerão seus favoritos por ordem de preferência. Os líderes dos rankings serão os vencedores. QUERIDINHA DE HOLLYWOOD Concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz por Ainda Estou Aqui, a atriz brasileira Fernanda Torres segue brilhando e já é chamada de Queridinha de Hollywood por jornais e revistas conceituados por lá. SESSÃO GRATUITA no Roxy Premiado com o Domo de Ouro em Cannes, o documentário Olhares Cruzados – Entre Deficiência e Inclusão, de Gabriel Campina e John Dauvin, terá sessão gratuita nesta terça-feira, às 21h15, no Cine Roxy (Avenida Ana Costa, 443, no Gonzaga, em Santos).