Imagem ilustrativa (Adobe Stock) Dor no peito e falta de ar são alguns dos sintomas que podem ser confundidos com um infarto. No entanto, a síndrome do coração partido, também chamada de cardiomiopatia de Takotsubo, tem ganhado cada vez mais atenção dentro das unidades de emergência e terapias intensivas do Brasil. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A condição revela um impacto direto e profundo das emoções sobre a saúde do coração. O médico Marcio Moreno Luize, cardiologista e chefe da UTI do Hospital Costantini – especializado em cardiologia no Paraná, explica que essa síndrome tem como pano de fundo o estresse, tanto emocional quanto físico. “A pessoa chega geralmente com dor no peito e os exames iniciais sugerem infarto, mas o cateterismo mostra que não há obstrução nas artérias coronárias. Ainda assim, o músculo do coração está claramente afetado”. Segundo o especialista, em mais de 80% dos casos, os pacientes são mulheres acima dos 60 anos, pós-menopausa. O quadro costuma ser desencadeado por eventos marcantes como luto, medo intenso, frustrações profundas, conflitos ou até mesmo doenças graves e acidentes. “É como se o coração literalmente se partisse em resposta a uma emoção devastadora. Isso justifica o nome da síndrome, que é, ao mesmo tempo, poético e alarmante”, reforça Marcio. Embora possa evoluir para formas graves com desmaios, arritmias e até insuficiência cardíaca, a cardiomiopatia de Takotsubo é, em geral, reversível em um período de uma a quatro semanas com tratamento adequado. O diagnóstico preciso é confirmado por meio de exames como ecocardiograma e cateterismo, que ajudam a descartar o infarto clássico e a visualizar a característica alteração no músculo cardíaco. A dor intensa no peito é o principal sinal de alerta. “É o sintoma que mais leva o paciente ao hospital. Em muitos casos, a intensidade é tão parecida com a de um infarto, que só conseguimos diferenciar com exames mais aprofundados”, ressalta o cardiologista. Apesar de ser uma condição reversível, na maioria dos casos, é fundamental procurar ajuda médica. O nome Takotsubo vem do termo japonês para um tipo de armadilha de polvo, já que a forma do coração durante a síndrome se assemelha a esse recipiente que os pescadores usam para capturar o animal marinho. É uma analogia que ajuda a entender como o problema afeta a estrutura do coração temporariamente. Imagem ilustrativa (Adobe Stock) Acredita-se que o estresse emocional causa uma liberação excessiva de hormônios, como a adrenalina, que afeta a função cardíaca por um período. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda médica é essencial para o diagnóstico correto e tratamento eficaz. O tratamento envolve medicamentos para proteger o coração e o controle rigoroso dos sintomas. Durante o processo de recuperação, é fundamental evitar esforços físicos intensos e priorizar o cuidado emocional. “Não é exagero dizer que o nosso estado psicológico influencia diretamente na saúde do coração. Vínculos sociais, espiritualidade, momentos de descanso e até práticas como meditação e ioga são aliados na prevenção”, afirma o médico. “Apesar de ainda ser considerada pouco frequente, estima-se que até 2% de dos casos que chegam aos pronto-socorros com suspeita de infarto sejam, na verdade, a síndrome do coração partido. E essa proporção tende a crescer. Vivemos tempos de estresse crônico, ansiedade e sobrecarga emocional. O corpo dá sinais e o coração, muitas vezes, é o primeiro a falar”, finaliza o Marcio.