Durante muito tempo, o trem foi apenas um meio de transporte. Hoje, em diversas partes do mundo, ele se transformou em uma experiência turística capaz de rivalizar - e muitas vezes superar - o próprio destino final. Com vagões panorâmicos, paisagens cinematográficas e serviços que variam do conforto clássico ao luxo absoluto, as grandes viagens ferroviárias conquistaram um novo espaço no turismo internacional. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Viajar de trem permite observar o mundo em um ritmo diferente. Ao contrário do avião, que encurta distâncias, ou do automóvel, que exige atenção constante ao volante, o trem convida o passageiro a simplesmente contemplar. Montanhas, lagos, vales, florestas, pequenas vilas e cidades históricas desfilam lentamente pelas janelas, transformando o percurso em parte essencial da experiência. Na Europa, poucas rotas são tão famosas quanto o Glacier Express, na Suíça. Conhecido como o “trem expresso mais lento do mundo”, ele percorre cerca de 290 quilômetros entre as cidades de Zermatt e St. Moritz em aproximadamente oito horas. Pelo caminho, o trem atravessa 291 pontes, 91 túneis e passa por alguns dos cenários alpinos mais impressionantes do planeta. As janelas panorâmicas permitem acompanhar cada detalhe das montanhas cobertas de neve, dos vales profundos e das pequenas aldeias suíças. Também nos alpes, outro percurso impressiona pela beleza das paisagens. O Bernina Express conecta a Suíça ao norte da Itália, cruzando geleiras, lagos cristalinos e viadutos históricos. A ferrovia faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco e demonstra como engenharia e natureza podem coexistir de maneira espetacular. Mais ao norte da Europa, a Noruega oferece uma das viagens ferroviárias mais fotografadas do mundo. A Flåm Railway percorre pouco mais de 20 quilômetros entre montanhas, cachoeiras e fiordes, vencendo um dos maiores desníveis ferroviários do planeta. Apesar da curta duração, a viagem é considerada uma das mais belas do planeta, especialmente durante o verão, quando as paisagens ganham tons intensos de verde. Na Canadá, o protagonismo pertence ao Rocky Mountaineer. O trem percorre as montanhas rochosas em vagões com teto de vidro, permitindo visão de quase 360 graus da paisagem. Ursos, alces, rios de águas azul-turquesa e montanhas gigantescas fazem parte do cenário. Diferentemente de muitos trens tradicionais, o Rocky Mountaineer opera apenas durante o dia, garantindo que nenhum trecho espetacular seja percorrido durante a noite. Na Austrália, a experiência ganha proporções continentais. O lendário The Ghan atravessa o país de sul a norte, ligando Adelaide a Darwin em uma jornada de quase 3 mil quilômetros. Durante três dias, os passageiros cruzam desertos, planícies avermelhadas e paisagens que mostram a dimensão do território australiano, com paradas para conhecer comunidades e atrações naturais. Já na África do Sul, o Rovos Rail é considerado um dos trens mais luxuosos do mundo. Decorado com inspiração na era de ouro das ferrovias, oferece cabines elegantes, gastronomia refinada e roteiros que passam por vinhedos, reservas naturais e cidades históricas, transformando a viagem em uma verdadeira experiência de hotel cinco estrelas sobre trilhos. A Ásia também reserva trajetos memoráveis. No Japão, os famosos trens-bala mostram que velocidade e conforto podem caminhar juntos. Já em países como o Sri Lanka, o charme está justamente no oposto. A ferrovia que liga Kandy a Ella atravessa plantações de chá, montanhas cobertas por neblina e pequenas comunidades rurais, sendo considerada uma das viagens de trem mais bonitas do continente asiático. Mais do que transportar passageiros, essas ferrovias ajudam a contar a história dos países por onde passam. Muitas foram construídas há mais de um século para integrar regiões remotas, impulsionar o comércio ou vencer desafios geográficos que pareciam impossíveis para a engenharia da época. Hoje, preservam esse legado enquanto atraem milhões de turistas todos os anos. Em um mundo onde tudo parece acontecer com pressa, as grandes viagens de trem representam justamente o contrário. Elas lembram que a beleza nem sempre está apenas na chegada, mas também no percurso. Afinal, quando montanhas, fiordes, desertos e florestas passam lentamente pela janela, fica evidente que, em algumas viagens, o caminho é a maior atração.