Grand Maison Tóquio (Divulgação) O sucesso de O Urso vem abrindo espaço para novas produções que giram em torno da gastronomia, em especial aquelas que mostram os bastidores dos grandes restaurantes. E como não estou entre os fãs da série americana, que acho depressiva e cheia de gente chata, tenho descoberto boas opções. A Netflix acaba de resgatar uma produção japonesa de 2019 que a supera, em produção e na narrativa menos comprometida com a tristeza: Grand Maison Tóquio. Nas primeiras cenas, vemos a já conhecida sequência da preparação de um grande jantar. Estamos em Paris, em meio a um encontro diplomático entre França e Japão. O chef Natsuki Obana, responsável por um restaurante com duas estrelas Michelin, comanda tudo com mãos de ferro e nenhum espaço para falhas. Mas surge um terrível problema: um dos embaixadores morre após comer um alimento do qual era alérgico e Obana cai em desgraça. Corta a ação para alguns meses depois, também em Paris. Uma chef japonesa, Hayami, passa por uma entrevista de emprego em um grande restaurante. Perde a vaga, mas acaba conhecendo Obana quando ele invade o lugar em uma tentativa frustrada de ter o emprego. Surge, daí, uma quase amizade entre os dois, que voltam a Tóquio com muitos objetivos diferentes e pelo menos dois em comum: abrir um restaurante de comida francesa na capital japonesa e conquistar três estrelas Michelin. Isso representaria a realização do sonho de uma vida para Hayami (as três estrelas Michelin) e a volta por cima para Obana. O plano, obviamente, parece muito mais fácil e possível na cabeça dos cozinheiros. Na vida real, eles vão precisar superar desafios bem complicados, como encontrar um imóvel bem localizado e com boa estrutura para receber o empreendimento, profissionais bem treinados e fornecedores, entre outras circunstâncias. Além de ser uma das poucas séries que abordam todos os aspectos menos conhecidos da gestão de um restaurante (e de forma muito interessante, acredite), Grand Maison Tóquio é riquíssima em suas histórias paralelas, como a decisão dos chefs de fazer comida francesa usando apenas ingredientes tipicamente japoneses. Também são muito divertidas a busca e a relação com um fornecedor conhecido por ter os melhores ingredientes de todo o Japão, que ele caça ou cultiva com as próprias mãos e que tem um temperamento bem difícil, como quase todo grande gênio. É um dos momentos mais engraçados da história. Também são especiais as reflexões bem contemporâneas propostas pela série sobre a interferência que os influencers exercem tanto em relação à imagem do restaurante diante do público quanto o fato de que, na vida real, a filosofia de Instagram não funciona: não basta uma comida ser bonita, e sim ter sabor. Eles vão ter que superar, ainda, um restaurante concorrente, também especializado em comida francesa, cujo proprietário não tem qualquer escrúpulo em prejudicar os concorrentes das formas mais cruéis e até criminosas. Inclua nisso aí espionagem, sabotagem e suborno! A série fez um enorme sucesso na Ásia quando foi lançada e, em 2024, além de chegar a todo o mundo pela Netflix, também estão planejados um episódio especial para a tevê e um longa metragem que deve chegar às telas dos cinemas ainda este ano. Bons atores, boa produção e pratos bonitos fazem de Grand Maison Tóquio uma série quase perfeita não apenas para quem curte gastronomia ou séries asiáticas, mas para todos que adoram boas histórias com temas universais como superação, as sutilezas das relações humanas e, claro: comida! Não perca!