Oftalmologia geriátrica é baseada em atitudes preventivas e tratamentos que vão garantir qualidade de vida, mantendo a visão na terceira idade (Reprodução/Pixabay) Como será a sua visão aos 100 anos de idade? Com a expectativa de vida cada vez maior, aumentam as chances do desenvolvimento de doenças degenerativas nos olhos. É aí que entra a chamada oftalmologia geriátrica, que vai ajudar na melhor vida útil dos seus olhos. Segundo o médico Eduardo Paulino, a oftalmologia geriátrica vai além de prescrever uma receita de óculos, mas é baseada em atitudes preventivas e tratamentos que vão garantir qualidade de vida, mantendo a visão na terceira idade. Ao domingo+, o especialista fala sobre os principais problemas que os pacientes podem apresentar com o passar do tempo. Catarata É a doença mais comum na terceira idade e se caracteriza pela opacificação progressiva das lentes que ficam no interior dos olhos. “Elas vão se tornando mais densas e provocando mudanças importantes na visão, entre elas uma miopia progressiva”, explica Eduardo Paulino. A catarata gera uma falsa miopia e acaba fazendo com que o paciente volte a ter visão de perto, enquanto a de longe pode chegar a um nível tão intenso que a pessoa corre o risco de perdê-la totalmente. Apesar de ser a maior causa de cegueira mundial, o problema é reversível por meio da cirurgia. “O ideal é restaurar a visão a partir do momento em que ela começa a cair pela opacificação do cristalino. Na cirurgia, a lente natural dos olhos é retirada e substituída por um cristalino novo, ou seja, uma lente intraocular, que hoje pode, inclusive, corrigir todos os tipos de graus e deixar o paciente livre de óculos. O procedimento é feito com colírios anestésicos e sedação". Glaucoma Doença silenciosa, que afeta cerca de 4% da população a partir dos 40 anos, o glaucoma é caracterizado principalmente pelo aumento da pressão dentro dos olhos e provoca um sofrimento progressivo do nervo, podendo chegar ao quadro de perda irreversível da visão. Para o diagnóstico precoce, é necessário um exame específico, geralmente feito em consulta de rotina com o oftalmologista. Se houver suspeita de glaucoma, vários outros exames serão solicitados para avaliar o campo visual e a espessura da córnea, além de fundo do olho, medidas por tomografia, entre outros. O tratamento é feito com uma grande gama de colírios na tentativa de manter a visão estável. Em alguns casos, ocorre a aplicação de laser específico para diminuir a pressão intraocular e até mesmo a cirurgia. Contudo, há pacientes que não procuram o médico para fazer a avaliação preventiva e o tratamento precoce, evitando a morte do nervo e a consequente cegueira. Degeneração macular O problema, normalmente genético, aparece com o passar dos anos. O ser humano possui dois tipos de visão: a periférica, que nos coloca dentro do espaço que nos cerca, e a central, que nos permite ler, definir detalhes do rosto das pessoas e assistir à televisão, por exemplo. A mácula é um ponto bem pequeno que fica no fundo do olho, mais precisamente no centro da retina. Com o tempo, sofre vários tipos de alterações e degenerações e pode passar a ter depósito de substâncias anormais sobre ela, por problemas do metabolismo do envelhecimento. Também podem ocorrer sangramentos, crescimento de vasos anormais, formação de cicatrizes e até morte de algumas células. Quem desenvolve degeneração macular relacionada à idade tem uma perda progressiva da visão central. Nunca terá perda total, porque a visão periférica, nesse caso, é sempre preservada, mas fica com dificuldade de ver detalhes e também de ler. O diagnóstico pode ser feito de forma precoce por meio do exame de fundo de olho e de testes com aparelhos especiais, como a tomografia de coerência óptica. O tratamento ocorre com laser e injeções intraoculares feitas com aplicação totalmente indolor e rápida. As aplicações são feitas com substâncias específicas, que evitam o crescimento de vasos anormais na área da mácula, evitando a piora progressiva do quadro. Doenças sistêmicas Muitos não sabem, mas o diagnóstico precoce do Alzheimer pode ser por meio do exame de fundo de olho. O nervo óptico, por exemplo, é o único que se caracteriza como um prolongamento do cérebro visível ao médico. “Por intermédio de modernas tecnologias, conseguimos ter noção do estado geral do paciente”, diz Paulino. O oftalmologista ainda cita doenças comuns na terceira idade e que podem comprometer o desempenho da visão. Entre elas, o diabetes. “É importante que todo paciente diagnosticado com essa doença seja encaminhado para o oftalmologista para fazer o exame de fundo de olho. O diabetes ataca de forma agressiva os olhos, provocando microdilatações dos vasos, pequenas hemorragias, depósitos de substância anormais, inchaços em áreas nobres dos olhos e até descolamento da retina, podendo levar à perda da visão”. Pessoas com diabetes, principalmente da terceira idade, devem fazer um acompanhamento de rotina para prevenir e tratar com uso do laser, que vai cauterizar as áreas afetadas, além de injeções intraoculares e cirurgias. A hipertensão arterial também leva a alterações importantes no fundo dos olhos, podendo causar hemorragias e inchaço do nervo da visão e obstruções vasculares. O médico ainda ressalta os quadros de olhos secos e lacrimejamento excessivo, além de alterações externas, que podem se caracterizar pelo crescimento das pálpebras, que vão cobrir a visão, e o diagnóstico de tumores primários e secundários da retina.