O sistema inverter ajusta automaticamente a velocidade do compressor, reduzindo o consumo energético em até 40% (AdobeStock) O conforto térmico quando estamos em casa é algo que desejamos o ano inteiro, mas especialmente no verão santista essa vontade é amplificada pelas altas temperaturas. Por isso, o ar-condicionado se torna um recurso fundamental. Os arquitetos Alexandre Pasquotto e Mariana Meneghisso destacam a importância de escolher o equipamento adequado. “Não se trata apenas de refrescar o clima, mas também contribuir com o bem-estar das pessoas e, a depender do modelo, melhorar a qualidade do ar”, ressaltam os profissionais, que ainda destacam a questão financeira. “O modelo certo coopera para não haver um consumo excessivo de energia, gastos desnecessários com manutenção e a frustração de ter uma climatização ineficiente”. O aparelho mais popular e o mais caro não são parâmetros para a realização da compra. Segundo Alexandre Pasquotto, o primeiro passo é avaliar as expectativas do morador, que variam entre cômodos mais frescos para uma melhor qualidade de vida e as dimensões do local. Entretanto, o ar-condicionado entrega muito mais para a saúde: seu funcionamento coopera no controle da umidade, que por sua vez mitiga questões como o mofo e o bolor, característicos de regiões mais úmidas. Ainda na parte respiratória, filtra partículas como poeira, alérgenos e agentes poluentes, melhorando significativamente a qualidade do ar. A área disponível para a instalação é outro fator determinante, já que os diferentes modelos produzidos pelos fabricantes dispõem de requisitos específicos para as unidades internas e externas. As condensadoras que ficam do lado de fora precisam de ventilação adequada para expelir o ar quente gerado durante a operação e, em apartamentos, costumam ser instaladas em varandas técnicas ou caixas específicas. Contudo, alguns sistemas, como o VRF, que atendem múltiplos ambientes, exigem dimensões maiores e precisam ser planejados com antecedência. Já nos ambientes internos, as demandas variam conforme o modelo escolhido. O sistema hi wall é compacto e recomendado para cômodos menores e a versão K7, com insuflamento em quatro direções, requer um entreforro. Os sistemas mais robustos, por meio de dutos, são indicados para áreas mais amplas que acomodem os alçapões de manutenção e difusores. Ademais, a infraestrutura elétrica precisa ter uma voltagem compatível com o equipamento – 110 V ou 220 V –, ou trifásico, no caso dos sistemas mais robustos. Não menos importante, o design é outro ponto considerado: equipamentos embutidos e discretos estão em alta, especialmente em projetos residenciais. A manutenção no meio do ano é mais econômica e garante que o aparelho esteja em perfeito estado para o verão (AdobeStock) Manutenção e limpeza são importantes no dia a dia Passado todo esse processo, a usabilidade do ar-condicionado requer uma limpeza que contribuirá para a saúde do usuário e a vida útil do equipamento. Para tanto: O lado externo e o controle remoto devem ser higienizados com pano seco – que pode ser até umedecido para sujidades mais difíceis, mas nunca acrescidos de produtos químicos; O painel frontal, que deve ser limpo apenas com um pano seco, costuma ser removível – todavia, essa informação é confirmada apenas ao visualizar as orientações do fabricante quanto à limpeza interna da unidade; Os filtros são limpos com aspirador de pó e posteriormente lavados em água corrente e devidamente secos. Quando produzidos com carvão ativado ou HEPA, é recomendado apenas o aspirador de pó e a substituição conforme a recomendação do fabricante. Regularmente, solicitar o suporte de um profissional especializado é indispensável. “A manutenção no meio do ano é mais econômica e garante que o aparelho esteja em perfeito estado para o verão”. No check-list da revisão estão incluídos a verificação da carga de gás, funcionamento do sistema elétrico, limpeza da unidade externa e, se necessário, substituições de componentes. A eficiência de um ar-condicionado depende diretamente do cálculo correto de BTUs (AdobeStock) Faça os cálculos de BTUs A eficiência de um ar-condicionado depende diretamente do cálculo correto de BTUs (unidade de medida de capacidade térmica). A arquiteta Mariana Meneghisso sugere uma fórmula simples para começar: multiplicar a largura pela profundidade do ambiente em metros e, em seguida, multiplicar este valor por 600. “É fundamental considerar fatores adicionais como insolção, presença de equipamentos eletrônicos e o número de pessoas no ambiente”. Como referência, em locais com alta exposição solar, é preciso acrescentar entre 800 e 1000 BTUs por m² e em salas com equipamentos que geram calor, como projetores ou TVs, é recomendável somar até 600 BTUs por aparelho. Principais modelos A dupla de arquitetos descreve os tipos de ar-condicionado encontrados no mercado, com variações principalmente nas formas de insuflamento do ar refrigerado para os ambientes: Hi wall: fixado na parede, é uma das opções mais populares para residências, especialmente em dormitórios e salas de pequeno ou médio porte. K7 quatro vias: utilizado em escritórios e ambientes comerciais, distribui o ar refrigerado em quatro direções e requer entreforro. Sistema de grelha ou insuflador: indicado para grandes metragens, utiliza dutos para distribuir o ar. Sistemas multissplit e VRF: atendem vários ambientes simultaneamente, sendo o VRF ideal para grandes espaços. Sistema inverter: ajusta automaticamente a velocidade do compressor, reduzindo o consumo energético em até 40%.