Romeu Benedicto é Tonhão, personagem da novela Guerreiros do Sol (Rebecca Wesolowski/Divulgação) Romeu Benedicto dá vida a Tonhão em Guerreiros do Sol, novela do Globoplay que revisita o universo do cangaço e já lidera o ranking da plataforma de streaming. O personagem surge no meio da trama, em um momento de tensão, o que exigiu do ator uma entrada carregada de força dramática e sensibilidade na medida certa. As gravações, realizadas no sertão nordestino, trouxeram ainda mais intensidade ao processo criativo do elenco. Ao domingo+, Romeu fala sobre os bastidores da série, sua relação com o teatro, os desafios de interpretar personagens densos e o crescimento das produções nacionais de streaming. Também revela o desejo de remontar um monólogo autoral e defende que o audiovisual deve ser reconhecido como parte estratégica da economia criativa brasileira. Tonhão chega em Guerreiros do Sol já em meio a uma trama intensa. Como foi para você entrar nesse momento da história e dar continuidade ao clima de tensão logo nas primeiras cenas? Foi um desafio grande, ainda mais em uma obra da grandiosidade de Guerreiros do Sol, como vocês podem conferir no Globoplay, que está em primeiro lugar. Entrar logo na primeira cena com uma carga dramática forte e já ter decorrido 15 capítulos é como entrar em um jogo quente e você já ter que fazer o gol. Há uma preocupação quanto a ser tudo na medida, sem pesar a mão demais. Ser sensível, mas ao mesmo tempo ter a força necessária. Aquele era um dos únicos momentos de humanidade de Tonhão, porque depois ele vira um coração de pedra. Já recebi vários áudios e mensagens falando que estão odiando o Tonhão, que eu traí Josué. Você comentou que se aprofundou no universo do cangaço para compor o personagem. Como esse mergulho na história real do sertão e dos cangaceiros mudou a sua percepção sobre o período retratado na novela? A obra de George Moura e Sergio Goldenberg e a direção de Rogério Gomes são fiéis ao tema épico do cangaço brasileiro. A obra abarcou tão lindamente o inconsciente coletivo, as nuvens de sentimentos que pairavam a época, e tudo isso foi habilmente distribuído e representado nas personagens que materializam esse sentir. Cada personagem tem um arco que se fosse pinçado dali e contasse sua história daria uma outra série. É de uma lindeza imensa a escrita que retrata a originalidade nordestina. Então, o mergulho na história real do cangaço só foi potencializado em mim com o texto e, principalmente, com a experiência de gravar no próprio sertão. Não tinha como falar do sertão sem estar lá, sem vivê-lo, sem sentir sua força e o que faz com a alma. Aí a gente pode falar que começa a entender o que é viver o sertão nordestino. As gravações no sertão ocorreram em meio a desafios climáticos, com dias de trabalho parados por conta do tempo. Como essas experiências em campo impactaram o seu processo criativo e o trabalho do elenco? Não impactaram o processo criativo, mas confesso que foi uma surpresa ver brumas, neblinas e tempo fechado em pleno sertão. Essa é mais uma da mãe natureza, que nos coloca em nosso lugar, pequeno que somos diante dela e de sua força, que só nos cabe aceitar e esperar. Quando saímos para externas, sabemos que “o senhor tempo” pode mudar tudo. O elenco esperou, mas a postos para qualquer hora entrar em cena. Você também se dedica ao teatro e já apresentou monólogos no Brasil e no exterior. Existe algum papel ou personagem que você ainda sonha em fazer nos palcos? Sim sonho em remontar meu monólogo Serafim, readaptá-lo. Uma obra que tem como pano de fundo o reflexo das ditaduras latino-americanas, o Tempo dos Monstros, mas traz um olhar para o tempo da poesia. Sua trajetória inclui experiências marcantes na TV, como o Jacinto de Cordel Encantado e o Anacleto de Pantanal. Qual personagem mais te desafiou até hoje e por quê? Eu sempre levo em conta o que estou fazendo atualmente, no caso, o Tonhão. Além de Guerreiros do Sol, você já está confirmado em outras produções de streaming. Como enxerga esse novo momento do audiovisual brasileiro, com o crescimento das plataformas? Já estou em mais duas séries que irão estrear em novembro, uma na Netiflix e outra no Globoplay. Estamos num bom momento para o audiovisual, muitas produções voltaram a ser possíveis, graças as leis de incentivo. Temos que, cada vez mais, consolidar o audiovisual como um produto que contribui para o PIB brasileiro, ele é um produto que gera empregos diretos e indiretos, fomentando o mercado. Trata-se de um produto, assim como a soja, o gado, e merece sua parcela de incentivos da mesma forma. E o melhor: não mata, nem degrada o meio ambiente, educa, salva, integra e comunica. É diverso como o Brasil.