(Gustavo Awad/Divulgação) Embora muitas vezes passe despercebido, o rodapé exerce um papel muito mais importante do que apenas fazer o acabamento entre o piso e a parede. Responsável por proteger as superfícies contra impactos, umidade e infiltrações, ele também interfere diretamente na leitura visual dos ambientes e pode valorizar a arquitetura de interiores. Nos projetos contemporâneos, esse elemento deixou de ser apenas funcional para se transformar em um recurso estético capaz de conferir leveza, elegância e personalidade aos espaços. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a arquiteta Juliana Faria, o rodapé deve ser pensado desde o início do projeto, já que sua escolha influencia tanto a durabilidade dos acabamentos quanto a composição visual do ambiente. “Ele não é apenas uma faixa de acabamento. Além de proteger as paredes, participa da linguagem do projeto e ajuda a destacar a arquitetura dos espaços”. (Adobe Stock) Nos ambientes considerados molhados, como cozinhas, banheiros e áreas de serviço, sua função prática se torna ainda mais evidente. Segundo a arquiteta, o rodapé preserva as paredes durante a limpeza diária, especialmente em uma característica comum nas residências brasileiras: o hábito de jogar água para lavar o piso. Sem essa proteção, a umidade pode comprometer a pintura, provocar manchas e reduzir a vida útil das paredes. Além da proteção, o rodapé também desempenha uma função técnica pouco conhecida. Ele esconde a folga deixada entre o piso e a parede, necessária para que revestimentos como porcelanato, madeira e piso vinílico possam dilatar e retrair naturalmente conforme as variações de temperatura. Esse espaço evita trincas, estufamentos e outros problemas decorrentes da movimentação dos materiais. Menos é mais Se antes os rodapés altos e ornamentados eram sinônimo de sofisticação, hoje a arquitetura contemporânea aposta em modelos mais discretos. Para Juliana Faria, quanto menos o elemento chamar atenção, melhor será o resultado estético. “Prefiro rodapés baixos e pretos porque criam uma linha de sombra elegante na transição entre piso e parede. É quase como se o piso se desprendesse da parede, deixando o protagonismo para a arquitetura de interiores”. Essa solução funciona como um recurso visual que torna os ambientes mais leves e sofisticados. A cor escura ajuda a marcar discretamente o encontro entre os planos, enquanto a baixa altura preserva a continuidade das superfícies. Outro modelo bastante utilizado é o rodapé invertido, que fica recuado em relação à parede e cria um pequeno vão na parte inferior. Além do efeito estético, ele protege os móveis contra impactos causados durante a limpeza. “Esse espaço evita as batidas que acontecem com vassouras e rodos. Não são intencionais, mas fazem parte da rotina da casa e acabam desgastando tanto o rodapé quanto os móveis”. Além dos invertidos, existem os rodapés embutidos, instalados no mesmo alinhamento da parede, e os sobrepostos, considerados os modelos tradicionais e mais comuns nas residências brasileiras. Percepção dos espaços A escolha da altura do rodapé também interfere na sensação de amplitude dos ambientes. Em apartamentos contemporâneos, onde o pé-direito costuma variar entre 2,40 e 2,50 metros, peças muito altas podem dividir visualmente as paredes e transmitir uma sensação de ambientes menores. Juliana explica que rodapés baixos ajudam a alongar as superfícies e criam uma percepção de maior altura. “Gosto muito da discrição. Ela preserva a continuidade das paredes e contribui para a sensação de um ambiente mais amplo”. Isso, no entanto, não significa que os modelos altos estejam ultrapassados. Em imóveis com pé-direito elevado, construções clássicas ou projetos de inspiração europeia, versões entre sete e 20 centímetros, muitas vezes com frisos e acabamento branco, continuam sendo uma excelente opção. “O importante é que exista proporção. O rodapé precisa conversar com o pé-direito, com o piso, com as cores e com o estilo da decoração. Não existe uma regra única”. Escuros Além da aparência, a manutenção também pesa na decisão. Segundo a arquiteta, uma das razões para utilizar rodapés pretos em seus projetos é justamente a praticidade no dia a dia. Diferentemente dos modelos claros, que evidenciam riscos e marcas deixadas por vassouras, aspiradores e sapatos, as versões escuras conseguem disfarçar melhor o desgaste natural provocado pelo uso contínuo. “Por reunir praticidade, durabilidade e um bom custo-benefício, o rodapé preto acabou se tornando uma assinatura dos nossos projetos”. Ela admite que alguns clientes demonstram resistência inicialmente, principalmente aqueles acostumados com rodapés brancos, altos e ornamentados. No entanto, essa percepção costuma mudar após conhecerem as vantagens. “Muitos chegam com uma ideia mais tradicional, mas quando explicamos os benefícios técnicos e mostramos o resultado final, a aceitação costuma ser muito boa”, diz. Escolha do material Outro ponto fundamental é a escolha da matéria-prima. O material deve ser compatível com as condições de uso de cada ambiente para garantir durabilidade e evitar problemas futuros. Em áreas sujeitas à umidade, como banheiros, cozinhas e lavanderias, Juliana recomenda materiais como poliestireno e alumínio, que apresentam maior resistência à água e exigem pouca manutenção. Já opções inadequadas para esses locais podem sofrer deformações, descolamentos e deterioração precoce, comprometendo tanto a estética quanto a funcionalidade do acabamento. “Não adianta escolher um rodapé bonito se ele não suporta as condições de uso daquele ambiente. A beleza precisa caminhar junto com a durabilidade”.