Nina da Costa Reis e Alice Caymmi (Elisa Maciel/divulgação) Rir das próprias ruínas pode ser uma forma de se reconhecer. É dessa premissa que nasce Arruíne-se Comigo, videocast de Nina da Costa Reis e Alice Caymmi, lançado este mês. Em vez de respostas prontas, conselhos ou a obrigação de parecer que está tudo bem, as duas artistas escolhem falar sobre dúvidas, fracassos, contradições e os pequenos caos da vida adulta. Nesta entrevista, Nina conta como surgiu a identificação com Alice, por que “arruinar-se” virou um chamado coletivo e como o humor ajuda a desmontar a ideia de uma vida sempre sob controle. Os episódios são semanais, disponíveis no YouTube e no Spotify. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em que momento vocês perceberam que a dinâmica entre vocês poderia render um programa como Arruíne-se Comigo? O que enxergaram uma na outra? Acredito que foi a identificação do rir de nós mesmas, rir das próprias ruínas e dos delírios e caos da vida. Somos duas mulheres com muita personalidade e que se complementam: o que cada uma traz de mais forte, potencializa o que tem na outra. O título Arruíne-se Comigo já é uma provocação. O que vocês gostariam que o público entendesse quando ouve esse convite para “se arruinar”? Sem dúvida, para a gente, “arruinar” virou um chamado coletivo. Arruinar é entender que não sabemos de muita coisa, e que tudo bem. Muita gente vai se identificar com isso. É descansar o discurso do empoderamento e agir com ele na prática, de verdade. Arruinar-se é empoderar-se. Vivemos uma época em que todo mundo parece precisar estar bem, produzir, ter sucesso e dar conta de tudo. Qual foi a maior “ruína” que vocês precisaram aceitar em suas próprias vidas para chegar até aqui? Nunca vivi uma vida sem ruínas constantes. Parece que tropeço nelas com frequência. Quando aceitei isso, e comecei a rir, a fazer piada comigo mesma, a me divertir com minhas próprias ruínas, tudo ficou um pouco mais digerível. Me humanizei para mim mesma. O humor e o autodeboche são ferramentas importantes do programa. Existe algum assunto sobre o qual vocês descobriram que só conseguem falar justamente porque conseguem rir de si mesmas? Todos (risos). Viva o autodeboche! O programa acontece em um quarto e parte da ideia de que vocês se arrumam para sair, mas acabam desistindo. O que essa situação diz sobre a vida adulta de vocês — e talvez sobre a de muita gente? A gente só escolheu fazer assim porque somos exatamente essas pessoas. Vocês falam em fugir de uma “performance higienizada” e de respostas prontas. Na vida real, o que ainda é mais difícil: admitir que não sabem o que estão fazendo ou simplesmente não se importar tanto com a opinião dos outros? As duas coisas andam bem coladas uma na outra. Nem sempre a gente consegue admitir, e nem sempre a gente consegue não se importar. A amizade e a intimidade entre vocês são fundamentais para o formato. Houve alguma descoberta, confissão ou situação durante as gravações que fez uma conhecer melhor a outra? A gente está se conhecendo melhor a cada dia que passa, mas parece que nos conhecemos há séculos. De cara, nos demos muito bem. Foi um match daqueles raros, sabe? E tudo que a gente se confessa, parece que a outra já tinha feito bem parecido. Se vocês pudessem escolher uma única “ruína” que o público deveria levar para casa depois de assistir ao programa (um medo, uma cobrança ou uma ideia de perfeição para abandonar) qual seria? Sei lá. Não sei nem a minha, que dirá dar conselho para o outro. Sou uma “arruinada”!