De frango a bacon, farmácias de manipulação transformam medicamento em petiscos para facilitar o cuidado dos animais (Adobe Stock) Dar remédio para o cachorro ou o gato já foi, por muito tempo, um ritual de guerra doméstica. Era preciso esconder o comprimido na comida, triturar no meio da carne ou até forçar a boca do animal, lidando com miados, rosnados e resistência. Hoje, esse cenário está mudando. A medicina veterinária evoluiu e já permite algo impensável há alguns anos: escolher o sabor favorito do remédio do seu pet. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Farmácias de manipulação especializadas em saúde animal transformam medicamentos amargos em versões palatáveis e até prazerosas. Frango, carne, bacon, peixe, leite condensado, banana, baunilha, morango – o cardápio é variado e os bichos têm preferências claras. “Alguns cães amam frango, outros preferem carne. Gatos são mais exigentes e costumam escolher sabores como peixe ou carne. Já tivemos pacientes que só aceitavam o remédio se fosse de bacon”, conta Caroline Ramalho, farmacêutica da Tudodvet, especializada em manipulação veterinária. Menos estresse, mais adesão O crescimento do mercado pet impulsionou essa tendência. Em 2024, o setor movimentou R\$ 75,4 bilhões no Brasil, sendo que os produtos veterinários representaram R\$ 7,8 bilhões desse total, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Dentro desse cenário, a manipulação de medicamentos tem se tornado um recurso cada vez mais usado para personalizar o tratamento – tanto no sabor quanto na forma de administração. Além de escolher o aroma ou o gosto mais atrativo para o animal, o tutor pode optar pela apresentação mais prática: gotas saborizadas, petiscos, biscoitos, pastas, gomas mastigáveis, sachês ou até gel transdérmico, aplicado na pele. Essa personalização reduz o estresse do animal e melhora significativamente a adesão ao tratamento. “O pet já está debilitado e ainda precisa passar por uma experiência traumática na hora da medicação? Isso pode ser evitado. Quando o animal aceita o remédio de bom grado, o tratamento tem muito mais chance de sucesso”, afirma Caroline. Além de facilitar a administração, a manipulação garante doses exatas de acordo com o peso e condição do animal, evitando o risco de cortar comprimidos de uso humano – prática comum e perigosa. Também é possível combinar diferentes princípios ativos quando compatíveis, reduzindo a quantidade de medicamentos e tornando o processo menos invasivo. Além dos cães e gatos A lógica da personalização não atende só os pets domésticos mais comuns. Cavalos, roedores, répteis, aves e até animais silvestres também se beneficiam dessas fórmulas adaptadas. Uma cacatua, por exemplo, pode receber um medicamento saborizado com maçã ou banana, administrado diretamente no bico ou diluído na água. Cavalos podem tomar remédios em biscoitos com gosto de cenoura ou em pastas fáceis de aplicar. Além dos medicamentos, farmácias veterinárias também desenvolvem produtos de higiene e cuidados especiais para animais com necessidades específicas, como musses para banho a seco, máscaras dermatológicas e filtros solares próprios para pets com alergias ou doenças de pele.