Mais do que um livro, Reflorescer – Transformando Pausas é um convite para olhar a menopausa sob uma nova perspectiva. A obra organizada pela mastologista e professora Simone Elias, que tem a qualidade de vida no pós-tratamento oncológico entre suas linhas de pesquisa, e pela executiva Patricia Helena de Jesus Teixeira, que superou um câncer de mama. desconstrói mitos, amplia o diálogo e oferece caminhos não hormonais para atravessar essa fase com leveza e dignidade. O lançamento da publicação acontece em Santos, na próxima sexta-feira, na Livraria Martins Fontes, no Gonzaga, marcando o início de um movimento que busca informar, acolher e transformar a maneira como vivemos essa etapa da vida. Quais são os principais mitos que ainda cercam a menopausa sem a reposição hormonal e que o livro ajuda a desconstruir? Simone Elias: Um dos mitos mais comuns é o de que toda mulher precisa fazer reposição hormonal para passar bem. Isso não é verdade. Muitas vivem essa fase com sintomas leves ou moderados e encontram equilíbrio com outras abordagens. Outro equívoco é achar que a menopausa representa o “fim” da mulher — da beleza, da libido, da feminilidade. Reflorescer mostra justamente o contrário: é uma fase de recomeço, autoconhecimento e autonomia. Patricia Teixeira: O mito mais nocivo é acreditar que, se não pode fazer reposição hormonal, a mulher não tem alternativa e precisa conviver com os incômodos. Isso é falso e cruel. Nosso propósito com Reflorescer é mostrar caminhos seguros e científicos que acolhem e transformam essa experiência. A menopausa ainda é cercada de tabus. Por que é tão importante falar abertamente sobre sintomas e tratamentos? Simone: Porque o silêncio machuca. Muitas mulheres se sentem confusas ou até envergonhadas com sintomas naturais. Falar sobre isso, em casa, no consultório, entre amigas, tira o peso da culpa e abre espaço para buscar tratamentos personalizados. Informação é transformação. Patricia: Sempre vivemos em uma sociedade que silenciou a saúde feminina. Felizmente, hoje temos mais espaço para falar de ciclo menstrual, menopausa e tantos outros temas. Quanto mais conversamos, mais as mulheres se sentem à vontade para se cuidar. Quais são os sinais mais comuns da menopausa? E quando a reposição hormonal é indicada ou deve ser evitada? Simone: Os mais frequentes são ondas de calor, insônia, ressecamento vaginal, alterações de humor, perda de massa muscular e ganho de peso. A reposição hormonal é indicada quando esses sintomas comprometem a qualidade de vida e não há contraindicações, como histórico de trombose ou câncer sensível a hormônios. É sempre uma decisão individual, acompanhada por médico. Patricia: Entre os sinais estão irregularidade no ciclo menstrual, falhas de memória, irritabilidade e cansaço. O processo pode durar anos, por isso é essencial acompanhamento médico. Já a reposição é contraindicada em mulheres com histórico de câncer de mama, trombose ou outras condições que interfiram nos hormônios. Alimentação realmente faz diferença nessa fase? Simone: Faz toda a diferença! Alimentos naturais e anti-inflamatórios — vegetais, frutas, grãos integrais, castanhas e peixes ricos em ômega 3 — ajudam no equilíbrio. Já açúcar, álcool e ultraprocessados agravam sintomas. Comer bem é uma forma de se cuidar por dentro e por fora. Patricia: Sim. Evitar ultraprocessados, açúcar, gorduras e álcool ajuda muito a reduzir os desconfortos. A alimentação é um pilar determinante dessa fase. E a atividade física? Quais exercícios são mais recomendados? Simone: O ideal é combinar aeróbicos, como caminhada, bicicleta e dança, com musculação, essencial para manter ossos e músculos. E também reservar espaço para práticas de relaxamento e hobbies. Sempre que possível, ao ar livre. Patricia: O melhor exercício é o movimento. Caminhar, cuidar do pet, subir escadas, qualquer atividade que mantenha regularidade. O importante é se movimentar ao menos duas horas e meia por semana. O livro traz alternativas não hormonais. Quais são mais acessíveis? Simone: Falamos de medicamentos não hormonais, fitoterapia, mudanças no estilo de vida, suplementação, apoio psicológico e práticas de autocuidado. São caminhos simples, de baixo custo, mas eficazes. Patricia: Meditação, exercícios físicos, alimentação adequada, cremes e alguns medicamentos são recursos práticos e fáceis de incluir no dia a dia. Como familiares e parceiros podem apoiar a mulher nessa fase? Simone: Com escuta e empatia. Pequenos gestos — perguntar como ela está, dividir tarefas, oferecer carinho — fazem diferença. Patricia: É essencial compreender que essa fase é nova tanto para a mulher quanto para quem convive com ela. Paciência e acolhimento são fundamentais. O que você diria para uma mulher que ainda não chegou nessa fase, mas já quer se preparar? Simone: Prepare-se com informação e autocuidado. Alimente-se bem, pratique exercícios, cuide da saúde mental e conheça seu corpo. Quem chega mais fortalecida passa pela menopausa com mais leveza. Patricia: Conheça-se. Observe seu corpo e inicie desde já o autocuidado. Práticas de bem-estar funcionam em qualquer fase da vida. O livro fala sobre acolhimento e autonomia. O que falta para a sociedade enxergar as mulheres maduras como protagonistas dessa fase? Simone: Falta romper com a ideia de que valor feminino está ligado à juventude. A mulher madura é ativa, inteligente, produtiva e desejante. É um florescer, não um fim. Patricia: Falta ação, falta dar voz a essas mulheres, quebrar mitos com informação científica e reconhecer que maturidade e liberdade tornam a mulher ainda mais potente e valiosa. Quais os próximos passos do projeto depois do livro? Simone: O livro é só o começo. Já iniciamos lives semanais e planejamos grupos de apoio on-line, cursos e até uma plataforma de profissionais de saúde. Também pensamos em novas publicações. Queremos transformar Reflorescer em um movimento. Patricia: Estamos na fase de lançamento e divulgação, mas Reflorescer já nasceu como um projeto maior. Teremos grupos de apoio, eventos, novas publicações e queremos alcançar o maior número possível de mulheres. É só o início dessa transformação.