(Matheus Freitas/Divulgação) O carioca Raphael Ghanem, de 33 anos, começou cedo nos palcos. Estudou no teatro Tablado de Maria Clara Machado, onde praticou improvisação livre por nove anos com grandes professores e desde 2009 se apresenta em shows de humor, no estilo stand-up comedy. Com seu espetáculo solo, Raphael já esteve em todas as capitais e metrópoles do Brasil, e em centenas de outras cidades. Na televisão, atuou em programas e novelas da TV Globo como Malhação e Verdades Secretas, além de Multishow e streamings como Prime Video e Netflix. Atualmente, dedica-se à turnê internacional de seu aclamado espetáculo Se É Que Você Me Entende, que teve mais de 15 mil espectadores na Austrália e na Inglaterra no ano passado e agora vai excursionar por Alemanha e Áustria. Como foi se apresentar em outros países, inclusive com sessões esgotadas? As sessões esgotadas têm sido uma oportunidade de mostrar meu trabalho para muitas pessoas e exercer toda a responsabilidade e compromisso que desenvolvi nesse tempo todo, fazendo cursos, todas as técnicas que estudei, aprendi, ensaiei, então tem sido uma boa oportunidade para pôr em prática todo esse aprendizado de anos. Sobre conhecer outros países, talvez tenha sido um dos melhores presentes que pude ter, porque me renovou e diria que renovou a esperança de uma vida melhor. Como assim? Tive acesso a conhecer culturas, destinos, até mesmo asfalto. Você vê as estradas sem buraco. É tudo tão diferente, a segurança é outra. Provavelmente há perigos, crimes, outros tipos, mas eu não tive acesso durante as viagens a nenhum problema comum para mim, que seria sujeira, criminalidade, perigos urbanos. Teve uma madrugada, às 3 horas, em que estava no meio de uma praça e não vi criminalidade nenhuma, nenhum perigo, voltei andando para o hotel, uns dois, três quilômetros, conversando com pessoas no meio da rua e nada de errado ocorreu, impressionante. Eu não conhecia outro país e foi uma experiência que me abriu os olhos para um mundo de mais possibilidades. Agora você se prepara para uma nova turnê na Europa. Tem material novo? O que inspira seus shows? A inspiração vem de casais e relacionamentos. Seja dos homens solteiros, mulheres solteiras ou relacionamentos de casados. Recentemente, em Curitiba (PR), teve em um show um casal com 35 anos de união. Toda a plateia aplaudiu até que uma mulher levantou a mão e ela disse que tinha 38 anos em uma relação e todo mundo aplaudiu, celebrou. Contamos histórias, damos risadas, então essas são as inspirações. O material é novo porque são pessoas novas na plateia, novas respostas das perguntas clássicas do show. Tem sido muito divertido. Cada casal tem sua experiência e o material é inédito a cada sessão. Você tem se dedicado mais à comédia? Tem ansiedade de fazer novelas? Em dezembro me chamaram para gravar uma novela em janeiro. Infelizmente, eu não pude aceitar por conta das minhas datas. Então, por muitos e muitos anos, eu aguardei sem marcar muita coisa. Mas, infelizmente, não dá para viver esperando. Então, fiz tudo o que dependia de mim para ter uma autonomia e uma liberdade financeira, artística. Hoje, se por acaso eu tivesse que voltar às novelas, teria que organizar algo com seis ou mais meses de antecedência. Seria um prazer. e, quem sabe, por que não, fazendo um papel de comédia. O que gosta de fazer quando está de folga? Tem alguma dica de série ou filme? Como há quatro anos eu edito os meus próprios vídeos, quando os finalizo, após períodos de quatro a oito por dia de trabalho, não quero mais assistir a mais nada por conta da minha vista estar cansada. Com isso, eu estou bem desatualizado de séries, de programas, o que eu mais faço é escutar músicas. Das músicas antigas, eu gosto de Milton Nascimento, Lou Borges, admiro Renato Brás e escuto sempre artistas brasileiros. Rita Lee era minha favorita, gosto muito dela. Não tenho nenhuma dica de série para dar, mas sempre recomendo The Office, que é uma série muito divertida, com muita ironia, muito deboche. É uma loucura. Qual seu público lá fora? A maior parte do público é de brasileiros. São bons encontros que tenho tido nessas turnês. Também muitos portugueses, africanos, até mesmo venezuelanos me assistem, é muito divertido saber que tantos povos estão acompanhando, pessoas que entendem o português. Você acha que fará mudanças no espetáculo aqui e no exterior? Sim, as mudanças são muito constantes, a cada dois, três meses a gente tem praticamente uma apresentação inédita. Muitas piadas ficam, elas permanecem e outras piadas surgem. Agora, a diferença daqui e lá de fora vai ser somente a mudança considerada comum entre uma apresentação e outra, pois 99% é improvisado. Quando muda o público, muda completamente o show. O tema continua o mesmo, que é relacionamento, casamento, vida de solteiro e vida de solteira. É muito divertido.