Instrutora de Ioga, Mentora e Autora, Raissa Zoccal (Vanessa Rodrigues/AT) O processo de busca espiritual da instrutora de ioga e mentora santista Raissa Zoccal começou cedo: por volta dos 17 anos. Hoje, aos 37, está longe do fim – e este é um dos aprendizados no caminho do autoconhecimento: as coisas mudam, a vida muda, e nós mudamos com elas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Há mais de 10 anos atuando na área de saúde mental e desenvolvimento pessoal, Raissa sabe bem disso: formada em Relações Internacionais na Itália, não se encaixou na profissão que havia delineado para sua vida. As aulas de ioga e meditação ajudavam a equilibrar-se em meio às dúvidas. De tal forma, que de aluna passou a professora de ioga. Hoje, Raissa tem 1,3 milhão de seguidores no seu canal do YouTube e outros 200 mil no Instagram, trabalhando para espalhar o bem-estar. Ela também é autora: acaba de lançar o livro Desperte Sua Essência (Planeta de Livros Editora, R\$ 59,90). Qual foi o ponto que fez você mudar o rumo profissional? Foram vários sintomas ao longo de um processo em que fui percebendo não haver mais significado ficar onde estava. Me sentia distante de mim e parecia que aquilo fazia parte da fórmula e de condicionamentos, daquilo que talvez nos instruíram, mas não o que eu realmente era e o que desejava. Falo muito sobre os chamados da alma. Então não houve um momento específico, mas vários, até ter coragem de tomar a decisão de fechar um ciclo e iniciar outro. Nesse sentido, o ioga foi fundamental para essa transformação? Foi, porque eu comecei, pelas meditações guiadas, a expressar meu ser, e foi também uma forma de encontrar meu lugar no mundo, cujo desconhecimento era a grande parte do meu desconforto. Quando morava na Itália tinha muita insônia, mesmo com minhas ferramentas de meditação. Só quando direcionei a minha energia e decidi arriscar na direção do que meu coração e intuição diziam, eu comecei também a me tranquilizar, a ficar em paz e mais próxima de mim. O que é o ioga? Uma religião? Um modo de vida? Uma filosofia? É uma filosofia, sim... com muita profundidade e muita praticidade: direciona uma forma de viver com mais presença, mais equilíbrio, leveza. E nos permite essa reconexão com quem realmente somos. Às vezes, a gente se afasta de quem é, por medos, máscaras, expectativas. É possível usar ioga e meditação como caminhos, canais, para mudanças práticas na vida, então? Com certeza. Um convite que eu faço às pessoas, que elas podem usar simplesmente – é uma brincadeira – para não surtar, né? (risos). O controle da respiração, por exemplo, você pode fazer em qualquer lugar, no trânsito, no metrô, se reconectar internamente e lidar com as adversidades com mais leveza, sendo menos reativo com as pessoas e situações. Uma frase sua é: “aquilo que precisa morrer não é a profissão, mas a identidade em torno dela”. Como são construídas essas identidades? A gente constrói a identidade de acordo com a criação, com aquilo que a gente aprendeu, com nossos condicionamentos. Principalmente até os sete anos, tudo aquilo que a gente assimila dos nossos pais, do que a gente vive na infância, vai moldando quem a gente será. Acredito no autoconhecimento como esse processo de construção e desconstrução do ser, por que não é só aprender quem se é, mas também desconstruir aquilo que você não é. Como surgiu a ideia de escrever um livro? Posso dizer com muita sinceridade que o livro é uma das poucas coisas que eu sempre soube, que sempre esteve dentro de mim, como um sonho. Conforme fui construindo meu repertório, ficou latente que as pessoas não precisavam de mais informação, mas de um espaço para relembrar quem elas são. Foram cinco anos escrevendo, um processo que se transformou junto comigo. Tem muitos livros nesse livro: são 37 anos, como se eu tivesse levado a vida toda para escrever. O livro se baseia na sua experiência, mas sob uma perspectiva de universalidade, alcançando a todos? Tem uma parte que eu falo sobre medo. O medo sempre estará presente. Tem uma frase no livro que resume isso (do universal): cada um tem um medo diferente, mas o medo é igual para todo mundo. Tem muito da minha jornada, mas não é sobre mim, é sobre a jornada de todos. Estaríamos vivendo em uma época propícia para que nos afastemos de nossa essência? Todos esses estímulos da tecnologia são bem intensos, e até perigosos. As mídias sociais geram esse senso contínuo de comparação, como se todo mundo estivesse vivendo uma vida mais legal, fazendo coisas que você não está fazendo. A gente até perde a noção do que é real de fato. A maioria nem percebe o que sente enquanto está olhando a vida dos outros. E aquilo suga, é como se o tempo não existisse, fica-se naquele automático. Esse excesso de informação, comparação, é tudo ilusório. Por isso a importância do despertar: de fato, é como se as pessoas estivessem adormecidas. Qual é o primeiro passo para reencontrar a essência? Poderia falar de muitas coisas... É criar momentos de conexão. É o primeiro passo, pois enquanto a gente fica escutando o barulho do mundo e nosso próprio barulho interno, a gente não consegue distinguir o que é daquilo que a gente sente. A gente acredita ser nossas emoções e pensamentos porque não temos espaço para nos distanciar e perceber. Existem muitas ferramentas para isso. As meditações guiadas, ou até mesmo o simples observar da respiração. Como é a meditação? Muitas pessoas entendem meditação como silenciar a mente. Com isso, se frustram, porque ninguém nunca deixa de pensar. A meditação é justamente essa habilidade de se colocar como observador dos pensamentos. E, aos poucos, direcionar a mente para onde você deseja e não ser levado por ela. Eu já fui extremamente ansiosa. Hoje, visito a ansiedade, como todo mundo.