(Imagem gerada por IA) A queda de cabelo é uma queixa frequente nos consultórios dermatológicos e pode ter origens variadas, que vão desde alterações hormonais e fatores genéticos até estresse, deficiências nutricionais e doenças sistêmicas. Em meio a dúvidas comuns sobre quando a perda de fios deixa de ser considerada normal, a dermatologista tricologista Priscila Lieberg esclarece as principais diferenças entre os tipos de alopecia, os sinais de alerta que exigem investigação e os avanços mais recentes nos tratamentos disponíveis. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Antes de iniciar qualquer tratamento por conta própria, é importante investigar as causas da queda de cabelo, A dermatologista tricologista Priscila Lieberg explica quais sinais merecem atenção e os avanços nos tratamentos. Qual é a diferença entre queda de cabelo e alopecia? Nem toda queda de cabelo é alopecia. A perda dos fios pode ter inúmeras causas e diferentes diagnósticos, entre elas o eflúvio telógeno (queda temporária dos fios), a alopecia androgenética (calvície genética), a foliculite decalvante (inflamação que causa cicatriz) e a alopecia areata (queda em placas). Toda queda é motivo de preocupação? Não, mas isso só pode ser definido após a avaliação de um médico tricologista. A queda pode ser um sinal de doenças sistêmicas como o lúpus eritematoso, alterações da tireoide, infecções ou condições que provoquem cicatrizes irreversíveis no couro cabeludo. Qualquer queda deve ser investigada. Quantos fios por dia é considerado normal perder? O normal é perder cerca de 100 fios por dia. Deve haver preocupação quando a queda está mais intensa do que o habitual ou quando há coceira e dor no couro cabeludo. Escova, descoloração e tinturas podem causar alopecia? Escova, descoloração e tinturas não causam alopecia, embora possam danificar a haste dos fios, comprometendo a qualidade e a textura capilar. Quais são os principais tipos de alopecia? Os principais tipos são a alopecia androgenética feminina e masculina, a alopecia areata e a alopecia frontal fibrosante (recuo cicatricial dos cabelos). A alopecia androgenética afeta apenas homens? Afeta tanto homens quanto mulheres. O problema não passa obrigatoriamente de pai para filho. Ela tem origem genética e pode ou não se manifestar em familiares. Mulheres na menopausa têm maior risco de queda de cabelo? Sim. Na menopausa ocorre a perda do efeito protetor dos estrógenos sobre o folículo piloso. Isso leva à redução da densidade capilar e ao afinamento dos fios, processo conhecido como miniaturização. Também ocorre encurtamento da fase anágena (crescimento) e aumento da fase telógena (queda). Estresse emocional pode provocar queda capilar? O estresse emocional pode causar eflúvio telógeno devido ao aumento do cortisol, que favorece a fase de queda dos fios. Além disso, existem outros tipos de estresse, como o oxidativo e o metabólico, relacionados à exposição à radiação ultravioleta, poluição, tabagismo, alimentação pobre em nutrientes, consumo de álcool e doenças como diabetes, que também prejudicam a saúde capilar. Que exames ajudam a investigar a causa da queda? É imprescindível realizar a tricoscopia em consultório, para identificar a causa da queda e estabelecer o diagnóstico. Também são importantes exames laboratoriais que avaliam vitamina D, vitamina B12, ferro, ferritina, selênio, cobre, zinco, função tireoidiana e sorologia para sífilis. A combinação de dieta restritiva e emagrecimento rápido pode levar à queda? Isso tem sido observado com frequência devido ao uso de análogos do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida. O emagrecimento rápido e, principalmente, a ingestão insuficiente de proteínas de qualidade podem desencadear eflúvio telógeno. Em que momento a pessoa deve procurar um dermatologista? Quando a queda está acima do normal. É importante evitar a automedicação. Os fios perdidos podem voltar a crescer? Existem alopecias cicatriciais, nas quais o folículo piloso é substituído por fibrose e o fio pode não voltar a nascer. Já nas alopecias não cicatriciais, os fios podem crescer novamente. Quais tratamentos eficazes para a alopecia feminina? Na alopecia androgenética feminina, os tratamentos mais eficazes incluem medicamentos orais como minoxidil, finasterida, dutasterida, espironolactona e bicalutamida. O minoxidil continua sendo o padrão-ouro no tratamento? Há efeitos colaterais? O minoxidil não é considerado o padrão-ouro para todas as alopecias. Ele atua como adjuvante, enquanto o tratamento principal deve ser direcionado à causa da queda. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão crescimento de pelos no rosto e no corpo, tontura e aumento temporário da queda no início do tratamento, fenômeno conhecido como shedding. Alguns estudos sugerem que a administração pela manhã pode reduzir alguns efeitos colaterais, embora muitos médicos recomendem iniciar à noite devido ao risco de tontura. Como funciona o uso de medicamentos orais? Além dos medicamentos já citados para alopecia androgenética, há tratamentos específicos para outros tipos de alopecia, incluindo antibióticos como a doxiciclina, hidroxicloroquina, metotrexato, corticoides e os mais recentes inibidores de JAK. O microagulhamento capilar também ajuda no tratamento? Sim. O microagulhamento, ou MMP capilar, promove microperfurações no couro cabeludo, permitindo a aplicação de medicamentos estéreis diretamente próximos ao folículo piloso, potencializando os resultados no crescimento capilar. Terapias como PRP (plasma rico em plaquetas) e laser de baixa potência têm evidências científicas? Sim. O PRP e os lasers, especialmente o laser de túlio (thulium), possuem evidências científicas demonstrando melhora do crescimento capilar. Quando o transplante capilar é indicado? Ele é indicado quando há fios saudáveis em quantidade suficiente na área doadora, localizada geralmente nas regiões laterais e posterior do couro cabeludo. Nem todos os tipos de alopecia permitem o procedimento. É necessário que a doença esteja estabilizada, sem inflamação ativa, e que a pele esteja saudável. Por isso, normalmente o tratamento clínico é realizado, pelo menos, seis a doze meses antes da cirurgia. Lavar o cabelo todos os dias ajuda no tratamento da queda? Sim. Com exceção de alguns cabelos afro, a lavagem diária é importante para manter o couro cabeludo saudável e pode contribuir na redução. Xampus antiqueda funcionam ou têm papel apenas complementar? Não têm papel significativo no tratamento da queda capilar. Mesmo quando contêm ativos específicos, o tempo de contato com o couro cabeludo é insuficiente para produzir efeito terapêutico relevante. Seu principal papel continua sendo a limpeza. Suplementos para cabelo, como a biotina, ajudam? A suplementação pode ser importante quando há deficiência comprovada em exames. No entanto, a biotina, apesar de muito popular, não tem demonstrado eficácia consistente nos estudos mais recentes para tratar queda capilar. Além disso, a deficiência dessa vitamina é rara, já que ela está presente em alimentos como gema de ovo, oleaginosas, batata-doce e peixes. Há novos medicamentos chegando ao Brasil? No último congresso da Academia Americana de Dermatologia, foi informado que está previsto para chegar ao Brasil um novo minoxidil de liberação lenta, que demonstrou maior eficácia e menos efeitos colaterais nos estudos. Para a alopecia frontal fibrosante, o delgocitinib surge como uma nova alternativa terapêutica em processo de aprovação. Já disponível no Brasil, embora de alto custo, estão os inibidores de JAK para a alopecia areata.