Longa tem paleta de cores vibrante, cenários estilizados e estética entre o nostálgico e o cósmico (Divulgação) O laço afetivo é o trunfo de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos. O vínculo emocional entre Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm se torna ainda mais forte com a chegada do bebê Franklin a esta família nada comum. Assim, a mensagem mais importante na retomada do quarteto é que não existe superpoder maior do que o elo familiar e esse componente definirá toda a ação da mais nova aventura do Universo Marvel (em inglês, Marvel Cinematic Universe, MCU). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! É nesse contexto acolhedor que se desenrola uma trama intimista, ambientada num charmoso futuro alternativo retrô inspirado nos anos 1960, com referências diretas ao fantástico e lúdico mundo dos Jetsons, de Hanna-Barbera, ao clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e, é claro, aos quadrinhos de Jack Kirby, um dos criadores do quarteto ao lado de Stan Lee. O primeiro gibi do quarteto foi lançado em 1961. Tudo isso é reflexo da visão do diretor Matt Shakman (WandaVision), que antes de tudo é um fã declarado do Quarteto Fantástico. A paleta de cores vibrante, os cenários estilizados e a estética entre o nostálgico e o cósmico são, ao mesmo tempo, homenagem e assinatura. O longa é inteiramente dedicado a Kirby. Para além dos fãs dos quadrinhos, Shakman apostou ainda em astros que estão em alta em Hollywood para atrair mais público ao filme: Pedro Pascal interpreta o líder Reed Richards, Vanessa Kirby é Sue Storm, Joseph Quinn como Johnny Storm e Ebon Moss-Bachrach assume Ben Grimm. Eles são puro carisma em cena. Com foco nos relacionamentos, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é menos ação e mais senso de coletividade e compaixão, propondo a seguinte questão: você entregaria o seu filho para salvar o planeta (leia-se humanidade)? Ou entregaria o planeta para salvar o seu filho? É possível vencer o inimigo sem sacrificar ninguém? Dito isto, quem brilha mesmo nessa fantástica aventura é Sue Storm. É ao redor dela que se constrói o tema mais bonito: a maternidade. Com o super poder da fofura, o bebê Franklin rouba a cena e é o termômetro romântico e relacional do casal Sue e Reed, mesmo não sendo real, mas efeito visual (CGI). Atenção, fãs: O filme tem duas cenas pós-créditos (Divulgação) Enquanto Reed mostra uma faceta mais gentil, Johnny continua sendo o mais impulsivo — um alívio cômico eficiente, sem exageros — e Ben Grimm, o Coisa, é o mais fiel às HQs: durão por fora, sensível por dentro. A química entre o quarteto funciona, e isso faz toda a diferença. Eles realmente parecem uma família, com todas as suas contradições, afeto e atritos. Diferentemente de outros filmes recentes do MCU, este não tenta forçar conexões com tramas paralelas ou vilões megalomaníacos. A ameaça principal existe, claro, mas serve mais como pano de fundo para desenvolver os personagens. A narrativa flui com naturalidade, sem pressa, sem excesso de informações e com espaço para respirar. Uma raridade na Marvel dos últimos tempos. Aos fãs mais antigos, há mudanças em relação aos quadrinhos, mas são escolhas que fazem sentido dentro da proposta do filme. Primeiros Passos não quer copiar as HQs, mas apresentar esses personagens a uma nova geração. Com doses generosas de humor, emoção e fofura, o filme acerta ao nos lembrar o motivo pelo qual esses heróis são tão especiais. Eles não são apenas fantásticos pelos poderes que têm, mas pela forma como cuidam uns dos outros. O filme tem duas cenas pós-créditos: a primeira aponta os próximos passos do grupo dentro do MCU e a segunda é mais simbólica, uma surpresa aos fãs. Vá ao cinema!