Mais da metade das entrevistadas afirma que os profissionais de saúde não costumam perguntar sobre (Imagem ilustrativa/FreePik) A perda involuntária de urina continua sendo um problema pouco discutido entre as brasileiras, apesar da alta frequência. Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos com 1.500 mulheres de 40 anos ou mais revelou que 56% já tiveram episódios de escapes de urina, índice que sobe para 60% entre as entrevistadas com mais de 60 anos. O levantamento foi apresentado durante evento promovido pela farmacêutica Apsen para discutir a incontinência urinária feminina. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A incontinência urinária é a perda involuntária de urina pela uretra, variando desde pequenas gotas até volumes maiores. Além da elevada ocorrência, o estudo chama atenção para o tempo de convivência com o problema. Em média, as mulheres apresentam sintomas por cerca de um ano e meio antes de buscar ajuda, e 36% convivem com eles há mais de dois anos. O evento lançou o movimento Escape do Tabu, uma iniciativa criada para transformar a forma como a incontinência urinária é percebida e incentivar uma conversa mais aberta sobre a condição. A ação busca combater o silêncio, a vergonha e a desinformação que ainda cercam um problema que afeta cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens acima dos 40 anos, estimulando o diagnóstico precoce e a busca por tratamento adequado. A campanha tem como embaixadora Helô Pinheiro, reconhecida por sua trajetória marcada pela autenticidade, confiança e liberdade, que se une ao movimento para incentivar uma conversa mais aberta sobre a incontinência urinária. A partir da sua própria relação com o envelhecimento ativo e a valorização da qualidade de vida, Helô reforça que cuidar da saúde urinária também faz parte de viver plenamente, com autonomia e segurança em todas as fases da vida. “Ao longo da minha vida, aprendi que liberdade está nos pequenos momentos: caminhar, viajar, encontrar pessoas, aproveitar cada experiência. Mas sei que muitas pessoas deixam de fazer coisas que gostam por causa da incontinência uriná-ria, muitas vezes por vergonha ou por acharem que precisam lidar com isso sozinhas. Quero ajudar a transformar essa conversa, mostrando que buscar informação e cuidado é um passo importante para recuperar a confiança e continuar vivendo plenamente”, afirma Helô. Embora seja frequente, a incontinência urinária não deve ser encarada como consequên-cia natural do envelhecimento. Segundo a pesquisa, quase uma em cada cinco mulheres acredita que a perda de urina faz parte da idade, percepção que contribui para retardar o diagnóstico e o tratamento. (Adobe Stock) Outro dado que chama atenção é o chamado “ciclo de invisibilidade”. Mais da metade das entrevistadas afirma que os profissionais de saúde não costumam perguntar sobre perda urinária durante as consultas, enquanto parte das mulheres diz que evita abordar o assunto justamente porque o médico não pergunta. A pesquisa também identificou que a maioria das mulheres com incontinência urinária tem filhos e mostrou que fatores como idade, obesidade, tabagismo, histórico familiar e tipo de parto estão associados ao aumento do risco para o problema. Principais tipos da doença De esforço, caracterizada pela perda de urina em situações de pressão abdominal. De urgência, caracterizada por vontade súbita e incontrolável de urinar. Mista, que é a combinação de esforço e de urgência. Dados da pesquisa As mulheres convivem, em média, por um ano e meio com os sintomas antes de procurar ajuda; 36% convivem com o problema há mais de dois anos. 19% das entrevistadas acreditam que a perda de urina é uma consequência normal do envelhecimento. Isso ajuda a explicar por que tantas mulheres demoram para procurar atendimento. 58% dizem que os profissionais de saúde não perguntam sobre perda urinária nas consultas, e 20% das mulheres com escapes afirmam que não tocam no assunto justamente porque o médico não pergunta. Observação: a pesquisa ouviu 1.500 mulheres de 40 anos ou mais, de todas as regiões do Brasil e das classes A, B e C, entre 30 de junho e 8 de julho.