Quando foi a última vez que você viveu uma primeira vez? Na infância e na juventude é muito mais fácil e constante experienciar o inédito na vida. O primeiro dia na escola, a primeira frustração, o primeiro medo de algo, o primeiro beijo, a primeira decepção amorosa, o primeiro namoro, o primeiro emprego... E assim se segue uma ininterrupta lista de novidades que nos desafiam, encantam, surpreendem, ensinam. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O tempo passa e a realidade adulta cercada de boletos, responsabilidades e rotina leva ao perigoso risco de não tentarmos mais. Muitas coisas. A realização de um sonho. Mergulhar num novo relacionamento. Voltar a estudar. Trocar de emprego. Entre tantos outros exemplos. Pense agora o que você gostaria de começar ou recomeçar. O que te impede? Cuidado para não se agarrar em desculpas. Elas sempre vão existir. Os contras podem parecer maiores do que os prós. Contras são sempre mais assustadores porque chancelam o desconhecido. E o que será que tem lá no que ainda não se conhece? Talvez seja justamente o pote de ouro destinado a você. Em um mundo tão instável, em especial em termos socioeconômicos, políticos e geopolíticos, a segurança que a certeza mínima oferece é confortável o suficiente para aceitarmos pouco. “Fica aí, no seu cantinho, lidando com o que já sabe que está bom, não inventa moda, não procura sarna para se coçar”, diz a voz da consciência. E ela é poderosa. Fala do alto de traumas, dores e tristezas que colecionamos. Se impõe quando não conseguimos ressignificar o que machucou. É preciso ressignificar para nosso caminho avançar. Um motivo pelo qual eu amo viajar é a quebra da ilusão de que a vida que me cerca é a única opção possível. São inúmeras realidades acontecendo ao redor. São tantas pessoas capazes de ampliar nossos desejos e sonhos, tantos lugares que podem ampliar o que entendemos sobre existir. Não precisa nem ir a outro país para sentir que há mais por ser. Você pode resgatar a sensação das primeiras vezes aos pouquinhos. Que tal um sorvete de sabor diferente, aquele que você nunca imaginou experimentar? Quem sabe conhecer um café novo na cidade. Ou se matricular em um curso apenas por hobby - não com foco em performance profissional. Visitar uma cidade a qual nunca esteve na região mesmo. Ande com um caderninho e anote as sensações. As prazerosas e as desconfortáveis. As que emocionam e mesmo as que parecem não surtir nenhum efeito. As respostas vão surgir, pode confiar. Se dê a alegria de tentar novamente. Seja o que for. De conhecer. De experimentar. De arriscar. Esses quatro meses de 2026 foram de primeiras vezes para mim, umas atrás das outras, quase como um reiniciar de quem eu sou. O medo está lá, pronto para assoprar no ouvido. A esperança também. Optei por ficar com os conselhos da esperança, que tem se mostrado sábia. P.S.: A melhor banda do universo, o U2, lançou músicas recentes e uma das canções nos ajuda a arrematar o texto de hoje. Em One Life at a Time, Bono nos lembra: o que você sente molda tudo o que você vê, e o amor perfeito expulsa todo o medo, como você espera depende do que você sonha, o que você imagina é seu destino, o que você esquece pode libertar seu espírito. “Se dê a alegria de tentar novamente. Seja o que for. De conhecer. De experimentar. De arriscar"