(Colagem com fotos Adobe Stock + IA) A primavera chegou e os espirros voltaram. Para muita gente, a sequência é conhecida: primeiro vem a coceira no nariz, depois a coriza, a dificuldade para respirar pelo nariz e os olhos lacrimejantes. É tentador tratar tudo como um incômodo passageiro da estação. Mas, quando os sintomas se repetem ou atrapalham a rotina, vale investigar o que está por trás deles. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A rinite pode afetar de 30% a 40% da população, segundo levantamentos citados pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). E os efeitos nem sempre ficam restritos ao nariz. A conjuntivite alérgica também é frequente entre pessoas com rinite. As duas condições podem aparecer juntas, enquanto a asma merece atenção especial em quem apresenta tosse, chiado no peito ou falta de ar. A otorrinolaringologista Mayra Atalla explica que, para quem já tem rinite alérgica, a primavera pode intensificar um quadro conhecido. “É uma exacerbação dos sintomas provocada pela maior liberação de pólen e outros aeroalérgenos, intensificando os sintomas da rinite.” Nariz e olhos podem reagir às mesmas partículas presentes no ar. Em uma pessoa sensibilizada, o contato com um alérgeno desencadeia uma resposta inflamatória que provoca espirros, coceira, congestão e coriza. Nos olhos, podem surgir vermelhidão e lacrimejamento. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), estudos mostram que a conjuntivite alérgica ocorre em até 70% das pessoas com rinite alérgica. Mayra explica que o diagnóstico considera os sintomas, a avaliação clínica e as circunstâncias em que as crises aparecem. Testes de pele ou de sangue podem ajudar na investigação, mas um resultado positivo, por si só, indica apenas sensibilização. É preciso verificar se essa reação corresponde ao que acontece na vida da pessoa. Essa distinção evita que toda crise da primavera seja atribuída automaticamente ao pólen. A rinite também pode estar relacionada a outros alérgenos, como ácaros e fungos, presentes ao longo do ano. Para reduzir o contato com os alérgenos, a médica recomenda a lavagem nasal diária com soro fisiológico. Em períodos de maior exposição ao pólen, também orienta evitar deixar as janelas abertas, tomar banho e trocar de roupa após passar muito tempo ao ar livre e não secar roupas do lado de fora de casa. O uso de máscara pode ajudar em locais com muita vegetação. Quando essas medidas não são suficientes, o tratamento pode incluir antialérgicos e corticoide nasal, conforme prescrição médica. Em casos específicos, há ainda a imunoterapia, que busca reduzir, ao longo do tempo, a sensibilidade a um alérgeno identificado. O sinal de que é hora de procurar um especialista não está apenas no calendário. Se espirros, obstrução nasal, coriza ou sintomas nos olhos são frequentes, persistem ou prejudicam o sono e as atividades diárias, a investigação pode ajudar a controlar as crises. Se houver chiado ou falta de ar, também é importante avaliar as vias respiratórias inferiores. Saber quando os sintomas aparecem é útil, mas descobrir por que eles aparecem pode mudar a forma de tratá-los. A avaliação médica é fundamental.