Brendan Fraser e Andrew Scott protagonizam drama tenso em Pressão (Reprodução) Uma previsão do tempo adiou o Dia D em 24 horas. O general Dwight D. Eisenhower, líder da Operação Overlord, com 300 mil combatentes, queria invadir as praias da Normandia, na França, em 5 de junho de 1944. Ficou para o dia 6. A ofensiva neutralizaria as tropas inimigas e representaria o início do fim da Segunda Guerra Mundial, que terminaria em 1945. Para o sucesso da operação, porém, o clima era imprescindível, ainda que incerto e incontrolável. Foi sob essa pressão que uma das decisões mais difíceis da história foi tomada. Esse é o ponto de partida de Pressão, um dos dramas de guerra mais interessantes dos últimos tempos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Adaptado da peça teatral homônima escrita por David Haig em 2014, o filme volta às 72 horas que antecederam o Dia D, inspirado em uma história real. Haig e o diretor Anthony Maras assinam o roteiro. A trama é centrada nos desentendimentos entre o meteorologista James Stagg (Andrew Scott) e o meteorologista Irving P. Krick (Cris Messina). Os dois divergiam sobre as projeções climáticas e o momento adequado para executar a operação. O clima entre meteorologistas e militares era o pior possível, principalmente pela pressão de Eisenhower. O general queria realizar a operação às 6h do dia 5 de junho, mas Stagg recomendava esperar o tempo melhorar, pois havia identificado tempestades. Os militares e Krick eram contra. Sabemos que o Dia D aconteceu e foi bem-sucedido, mas quando e como eles chegaram a um consenso? A resposta foi construída em uma trama que prende a atenção do início ao fim. O enredo canaliza a expectativa do público pela chegada do Dia D, e a sequência que antecede o primeiro minuto do ataque talvez seja a mais impressionante do filme. Os militares e os meteorologistas estão ansiosos e amontoados em uma pequena sala, claustro-fóbica, acompanhando, em silêncio, o avanço dos ponteiros do relógio. Cada segundo parece uma eternidade. A manhã está chuvosa. O mar, instável. É um tipo de tensão que o cinema de guerra raramente explora: a dos segundos anteriores à batalha. Não é o barulho dos tiros. É o silêncio que vem antes deles. O espectador quase consegue sentir o frio na barriga, o medo e o terror de quem está na linha de frente, prestes a matar ou morrer. Isso foi genial. Quando finalmente chega o desembarque, Pressão entrega uma sequência forte e angustiante. Os soldados avançam pelo mar e chegam à praia sob fogo intenso. A cena é impressionante, mas não supera o Dia D recriado em O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, uma das experiências mais brutais e impressionantes do cinema de guerra. Maras, no entanto, não tenta disputar com Spielberg a grandiosidade da batalha. O seu foco está no conflito de ideias, dentro de uma sala, à espera de uma previsão do tempo confiável. São notáveis as atuações de Brendan Fraser, Andrew Scott, Damian Lewis, como o marechal de campo Bernard Law Montgomery, e Kerry Condon, como a capitã Kay Summersby, mediadora e conselheira que tenta acalmar os ânimos naquele ambiente prestes a explodir sob tanta pressão. Na manhã de 6 de junho de 1944, antes da invasão à Normandia, foi preciso vencer as batalhas contra o relógio, contra a dúvida e contra o clima. Acertar a previsão do tempo era uma questão de vida ou morte. A produção é indispensável para quem gosta de filmes de guerra e, talvez, mude a forma como encaramos a meteorologia. Boa semana!