(Reprodução/Pixabay) Este começo de ano foi de muita alegria para minha família. Meu sobrinho, também meu afilhado, passou em uma das melhores universidades públicas do país. O rapaz se dedicou muito para conseguir essa que sempre será uma das grandes conquistas da vida dele. Pais, avós e tios ficaram emocionados ao receber no WhatsApp a foto clássica clicada no cursinho em que ele aparece com o nome da instituição pintada nos braços - e aquele sorriso que mistura felicidade e alívio. De tempos em tempos, algum desavisado surge condenando as universidades públicas. Mais (e pior) que isso: questionando se importa entrar em um curso superior e receber o diploma. Vamos primeiro falar das universidades públicas. Sim, há problemas de infraestrutura em parte delas, mas não é a regra. Sim, há estudantes fazendo baderna e usando substâncias lícitas e ilícitas. Isso também ocorre nas universidades privadas, em festas, colônias de férias, após encontros de igrejas de diversas denominações e crenças etc. Drogas e comportamentos irresponsáveis não são características principais do ambiente acadêmico. O valor do ensino público Tomar a parte pelo todo e propagar informações distorcidas ou mentirosas só interessa a quem ganha com isso. Como votos em cima da ignorância das pessoas. Ou acha que ganha. Como apoiando discursos de quem deseja mais é que a maioria siga na ignorância, sem capacidade de questionar, criticar, argumentar e cobrar. É tudo o que as universidades ensinam. Pensar, saber interpretar, enxergar o mundo por outras perspectivas que não sejam aquelas facilmente manipuláveis. Vamos olhar agora para as universidades e instituições de Ensino Superior privadas. Sem dúvidas, há uma gradação considerável de qualidade entre as particulares. Umas tantas pouco se importam com a qualidade real do ensino, daquilo que o estudante de fato aprende, focando mais no lucro do negócio. Mas posso garantir que há muita gente comprometida em transformar a vida de alunas e alunos que pagam suas faculdades com o suor do próprio trabalho, são as primeiras pessoas de suas famílias a chegarem no Ensino Superior ou desejam honrar a bolsa de estudos que receberam. Eu garanto porque sou docente em duas instituições particulares. Vejo muito de perto, todos os dias, essa transformação. Uma série de levantamentos vem comprovando a melhora financeira e de qualidade de vida daqueles que conquistam um diploma de graduação. Para citar apenas um, o relatório Education at a Glance (EaG), da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com dados de 38 países e divulgado em setembro de 2025, mostrou que, no Brasil, o diploma de Ensino Superior mais que dobra os salários de quem tem apenas Ensino Médio. A diferença é de 148% a mais. Significa melhores condições de pagar contas, acesso à saúde, moradia, lazer, segurança, tranquilidade e realização de sonhos. Não é pouca coisa. A importância de acreditar no conhecimento Já tive o desprazer de ouvir profissionais da própria área de educação afirmando que diploma ou titulação não vale nada. É sempre bom dar uma checada no que está por trás de tal fala. Frustração é uma delas. Mais fácil dizer que ninguém precisa quando não se consegue. Mais confortável puxar alguém para a parte baixa da régua quando não se é capaz. E não se impressione com discurso de influenciador afirmando em redes sociais que ganhou milhões sem estudar. A meia dúzia que vende essa ilusão só vende porque vai ganhar mais dinheiro em cima de você. Sem grandes preocupações com os impactos negativos que causam. Construir conhecimento é uma das coisas que mais nos permite uma existência com sentido e satisfação diante dos dias. Todo o resto é conversa de quem te deseja menor do que você pode ser. P.S.: Vale ouvir Tamo Junto (Não Desista), cantada por Carlinhos Brown e Lexa. Uma inspiração para se manter firme nos estudos.