Paisagem externa de Alcatraz encanta turistas de todas as nacionalidades, assim como o contato com a natureza em plena Baía de São Francisco; também é possível entender como funcionava o famoso presídio no local (Alexandre Lopes/AT) Localizada a cerca de dois quilômetros da costa de São Francisco, nos Estados Unidos, a Ilha de Alcatraz ainda carrega a aura sombria de um passado que mistura crime, punição e tentativas audaciosas de liberdade. A antiga prisão federal, desativada há mais de 60 anos, se transformou em um dos pontos turísticos mais visitados da Califórnia - mesmo sem agradar a todos que a conhecem. Visitei Alcatraz na última semana, durante a Missão Internacional Porto & Mar, promovida pelo Grupo Tribuna. A experiência é, sem dúvida, interessante: caminhar pelos corredores de uma das prisões mais temidas dos Estados Unidos, ver as celas com espaços mínimos, escutar histórias reais com o auxílio de um audioguia em português e imaginar como era o dia a dia dos presos é algo que impacta. Inaugurada como penitenciária federal em 1934, Alcatraz foi projetada para abrigar criminosos considerados perigosos demais para outras instituições (Alexandre Lopes/AT) A embarcação para a ilha parte do Píer 33, na região central de São Francisco. O trajeto dura cerca de 15 minutos e já oferece belas vistas da cidade e da ponte Golden Gate. Os ingressos custam US\$ 45 por adulto (cerca de R\$ 250) e incluem transporte de ida e volta, além do acesso ao audioguia. É recomendado reservar com antecedência, especialmente nos fins de semana. Inaugurada como penitenciária federal em 1934, Alcatraz foi projetada para abrigar criminosos considerados perigosos demais para outras instituições. Por suas celas passaram nomes famosos como Al Capone, o mafioso mais temido da era da Lei Seca, e Robert Stroud, o Homem-Pássaro de Alcatraz, que ficou 17 anos na solitária e se tornou especialista em ornitologia. A rotina por lá era dura. As celas mediam pouco mais de 1,5 metro de largura e os presos tinham regras rígidas de silêncio, alimentação e banho de sol. Um dos momentos mais marcantes da visita é justamente a parte do tour que mostra a engenhosa fuga de três detentos, em 1962, que cavaram túneis com colheres, escaparam por dutos de ventilação e desapareceram nas águas geladas da baía. O governo americano nunca confirmou se eles sobreviveram. Apesar do apelo histórico e cinematográfico — o filme A Rocha, estrelado por Sean Connery e Nicolas Cage, se passa na ilha —, Alcatraz pode ser vista e fotografada de vários pontos de São Francisco. Para quem não pretende fazer o passeio completo, é possível apreciar sua silhueta imponente de lugares como o Fisherman's Wharf ou o Fort Point. Um dos locais mais surpreendentes da ilha, e que muitos visitantes ignoram, é um pátio lateral pouco movimentado. Ali, entre o som dos ventos e centenas de ninhos de aves marinhas, tem-se uma vista deslumbrante da baía, com a Golden Gate compondo um cenário de tirar o fôlego. É um refúgio silencioso em meio à atmosfera pesada da prisão. Um dos locais mais surpreendentes da ilha, e que muitos visitantes ignoram, é um pátio lateral pouco movimentado. Ali, entre o som dos ventos e centenas de ninhos de aves marinhas, tem-se uma vista deslumbrante da baía, com a Golden Gate compondo um cenário de tirar o fôlego (Alexandre Lopes/AT) Recentemente, a ilha voltou ao centro das atenções após o atual presidente dos EUA, Donald Trump, declarar em um de seus discursos da campanha eleitoral de 2024 que consideraria “reativar Alcatraz como um centro de detenção de segurança máxima”, o que gerou polêmica e críticas de defensores dos direitos humanos e ambientalistas. O governo americano não comentou oficialmente a proposta. Quanto à realidade turística, Alcatraz segue como um passeio que desperta curiosidade, mexe com o imaginário popular e oferece momentos únicos — embora, para alguns, talvez não vá além de uma boa história para contar.