Na praça da Igreja Matriz de Santo Antônio do Pinhal é montada a quermesse, que vai até 29 de junho, sempre aos fins de semana (AdobeStock) Se você já se encantou com o charme e o clima serrano de Campos do Jordão, mas procura um refúgio mais tranquilo, com menos burburinho, vale esticar o olhar para duas joias encravadas na Serra da Mantiqueira: Santo Antônio do Pinhal e São Francisco Xavier. Ambas são pequenas no tamanho, mas imensas no aconchego, oferecem gastronomia artesanal e natureza — tudo isso com aquele friozinho que convida ao vinho, à lareira e ao cheiro bom de pinhão assado. Em Santo Antônio do Pinhal, o ar fresco da montanha sopra entre as araucárias, levando o aroma das hortas locais e dos restaurantes que fazem da truta o seu prato de honra. A truta, aliás, é rainha: criada em águas puras e geladas da serra, ela aparece defumada, grelhada, ao molho de cogumelos colhidos na própria região. Para quem ama o frescor da terra, não faltam receitas com ora-pro-nóbis, taioba, couve orgânica e até flor comestível. No Restaurante Donna Pinha, por exemplo, esses ingredientes viram arte nas mãos da chef Anouk — que também é sommelier de cerveja e sabe harmonizar pratos com rótulos artesanais da Mantiqueira. O restaurante é lindo, com espaços ao ar livre. O romantismo da cidade se revela nas pequenas pousadas com chalés de madeira, banheiras com vista para o vale e café da manhã servido com geleias caseiras e pão quentinho. Há pousadas que são convites para desligar o celular e acender a lareira. Mas o destino também é perfeito para famílias: o Jardim dos Pinhais Ecco Parque encanta com seus jardins temáticos, trilhas leves e espaços para piquenique. Crianças se divertem com os dinossauros escondidos entre flores e lagos, enquanto os adultos respiram fundo diante do verde. A pequena cidade de Santo Antonio do Pinhal fica em meio às montanhas e tem clima serrano (AdobeStock) São Francisco Xavier Já em São Francisco Xavier, o ritmo desacelera ainda mais. Distrito de São José dos Campos, parece ter parado no tempo, mas com elegância. É um reduto de natureza preservada, com cachoeiras cristalinas, como a Pedro David, trilhas para a Pedra da Onça ou o mirante da Pedra de São Francisco, de onde se avista um mar de montanhas ondulando no horizonte. O clima fresco e a altitude mantêm o ar sempre limpo, quase terapêutico. À noite, o frio chega de mansinho, pedindo um fondue à luz de velas ou uma pizza artesanal no Pangea, com massa de fermentação natural e coberturas que exaltam ingredientes locais. A cena gastronômica também surpreende. No João de Barro, a truta ganha a companhia de risotos aromáticos, enquanto no Soberana Cozinha Caipira a comida de roça — como o leitão na lata e o feijão tropeiro — é feita com o capricho das avós. Há também opções vegetarianas, cafés orgânicos, cervejas artesanais e mel puro direto do produtor. Na vila central, lojinhas vendem compotas, doces, queijos curados e até cosméticos à base de lavanda e alecrim silvestre. Para quem viaja com filhos, há pousadas com espaço verde, galinhas soltas, hortas interativas e até trilhas guiadas. Para casais, chalés escondidos entre as árvores com ofurô e vista panorâmica são o cenário perfeito para uma escapada a dois. No fim, o que une Santo Antônio do Pinhal e São Francisco Xavier é essa sensação de estar no tempo certo — o tempo da brisa fria na pele, do pão quente na mesa, do silêncio bom entre um vale e outro. Lugares onde o luxo não está na ostentação, e sim na simplicidade. Artesanato com alma e cheiro de montanha Tanto em Santo Antônio do Pinhal quanto em São Francisco Xavier, o artesanato não é apenas lembrança — é expressão viva da cultura da serra. Feito com as mãos e com o coração, ele reflete a simplicidade elegante da vida montanhesa. Em Santo Antônio, destaque para as peças em cerâmica de alta temperatura, com esmaltação natural e tons terrosos, como as do Ateliê Ditado Popular ou da Oficina da Lú. Há também móveis em madeira de demolição, esculturas em ferro forjado e arte em palha trançada por mulheres da região. Nas feirinhas de fim de semana da cidade, é possível encontrar desde colchas de tricô até compotas artesanais, mel cru e incensos feitos com ervas da Mantiqueira. Já em São Francisco Xavier, o artesanato tem um quê mais rústico e espiritualizado. É comum encontrar ateliês de velas aromáticas, cosméticos naturais com óleos essenciais locais, cestarias feitas com cipó e peças de vestuário em algodão cru tingido com pigmentos vegetais. O centrinho do distrito é repleto de lojinhas acolhedoras, como o Armazém São Chico, onde cada peça conta uma história — e muitas delas vêm com cheirinho de lavanda ou alecrim fresco. Além de belas, essas peças carregam o valor do feito à mão, da produção consciente e da conexão com o território. Perfeitas para quem gosta de trazer de volta não apenas uma lembrança, mas um sentimento. SANTO ANTÔNIO DO PINHAL O que fazer Pico Agudo: um dos mirantes mais impressionantes da região, com vista panorâmica da Serra da Mantiqueira e ideal para voo livre. Jardim dos Pinhais Ecco Parque: jardins temáticos, trilhas, redário e até estátuas de dinossauros — ótimo para famílias. Cachoeira do Lageado: queda de 18 metros com piscinas naturais e boa infraestrutura para banho e descanso. Estação Eugênio Lefèvre: antiga estação ferroviária com arquitetura charmosa e vista para o vale. Onde comer Donna Pinha: referência local, com pratos à base de truta e ambiente arborizado. Restaurante Arco Íris: à beira de um lago, serve risotos e pratos com truta em meio a jardins bem cuidados. Canto da Gula: bistrô acolhedor no centro, famoso pelo picadinho da gula e fondue. Café com Orquídea: cafeteria charmosa com doces, cafés especiais e ambiente florido.