Formação das pedras na vesícula é multifatorial (Adobe Stock) O médico Amer El Khatib, cirurgião do aparelho digestivo e diretor técnico do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, fala sobre como detectar, tratar e prevenir a pedra na vesícula, problema que atinge 30% das pessoas. Muitas pessoas têm pedras na vesícula e não sabem. Quais os exames que diagnosticam o problema? Além da minuciosa história e exame clínico, o principal diagnóstico vem da ultrassonografia abdominal. Excepcionalmente, é preciso uma ressonância de abdômen ou uma ecoendoscopia. Quais os sintomas que podem sinalizar a presença dessas pedras? Os principais sinais relacionados à pedra na vesícula, que geralmente ocorrem após alimentação gordurosa, são dor abdominal no canto superior da barriga, dor que pode irradiar para as costas, náuseas, vômitos e sintomas de má digestão. Outros sintomas podem estar relacionados com esse problema, como diarreia, amarelo nos olhos e xixi de cor escura. Por que essas pedras se formam? A formação das pedras na vesícula é multifatorial. Os principais fatores de risco são sobrepeso, alimentação gordurosa, mulheres em idade fértil, fatores genéticos e perda de peso excessiva. A formação ocorre quando a bile (líquido produzido pelo fígado, com função de auxiliar na digestão da gordura de alimentos) fica superssaturada de colesterol e bilirrubina. Desta forma, essas duas substâncias podem se precipitar e formar cristais, que começam a se agrupar e formar os cálculos. O tratamento é sempre cirúrgico? O tratamento para a remoção da pedra na vesícula é sempre cirúrgico. O procedimento é realizado por videolaparoscopia, ato minimamente invasivo, com baixas taxas de complicações. Há formas de prevenir o aparecimento dessas pedras? Sim, para isso é importante manter o peso saudável, dieta equilibrada, atividade física regular e controle de doenças crônicas. Caso as pedras não sejam diagnosticadas, o quadro pode complicar e evoluir para algo mais sério? O diagnóstico precoce pode prevenir complicações, como infecção da vesícula, que necessita de intervenção cirúrgica de urgência, além de complicações relacionadas à pancreatite e icterícia, causada pelo movimento da pedra na vesícula pelos canais da bile. Como é o pós-operatório? A cirurgia consiste na retirada da vesícula como um todo por meio da videolaparoscopia. O paciente faz a cirurgia em um dia, tem alta no dia seguinte pela manhã, com orientações de repouso por 15 dias e retorno para sua rotina após 15 dias. Maiores esforços e atividade física são permitidas somente após o segundo mês depois da cirurgia. Quem faz cirurgia de retirada de vesícula fica com o organismo comprometido de alguma forma, ou seja, a vesícula vai fazer falta? Não há nenhum comprometimento no organismo após a retirada da vesícula, nem é necessário fazer reposição vitamínica ou de nutrientes. A absorção permanece normal. Alguns pacientes podem ter diarreia após alimentação rica em gordura no pós-operatório. É possível retirar a pedra sem retirar a vesícula? Não é possível. A retirada da vesícula como um todo é mandatória, visto que a vesícula já está com problemas e, por isso, houve a formação dos cálculos. Quais os alimentos que ajudam no bom funcionamento da vesícula? A alimentação é de suma importância na saúde como um todo. Entre os alimentos que ajudam estão frutas e vegetais, grãos integrais, gorduras saudáveis, carnes magras, proteínas vegetais e alimentos ricos em vitamina C. Os que mais prejudicam são gorduras saturadas e trans, alimentos picantes ou ricos em colesterol, processados e refinados, carboidratos em excesso e produtos condimentados.