De Cacau a Rabo de Peixe, ator brasileiro conquista Portugal e se firma como um dos novos nomes do segmento audiovisual (Larissa Vieira/Divulgação) Paulo Guidelly vive um momento especial na carreira. Depois de chamar atenção do público português com a novela Cacau, o ator agora estreia na segunda temporada de Rabo de Peixe, série original da Netflix que se tornou um fenômeno em Portugal. Na trama, que retorna no dia 17 de outubro, ele interpreta um personagem sombrio, integrante do núcleo dos vilões, contracenando diretamente com Paolla Oliveira e Caio Blat. Entre gravações nos Açores, reconhecimento do público e desafios pessoais – como enfrentar o medo de avião –, Guidelly revela como foi mergulhar nesse papel intenso e fala também sobre os projetos que ampliam seu repertório artístico, como o curta premiado E Seu Corpo é Belo e o longa Mate Todos os Lobos, atualmente em filmagem. Você estreia na segunda temporada de Rabo de Peixe com um personagem que circula no núcleo dos vilões. Como foi a construção desse papel intenso? Foi um processo muito instigante. Esse personagem não está na linha de frente, mas atua nas sombras, sempre cumprindo ordens e fazendo o “trabalho sujo” dos vilões principais. Busquei construir uma fisicalidade discreta, mas carregada de tensão, alguém que existe mais no silêncio do que nas falas. Trabalhei muito com a ideia de presença, olhar e gestos mínimos que já revelam a violência que ele carrega. A série já era um sucesso em Portugal antes da sua entrada. Qual foi a sua sensação ao perceber essa expectativa em torno da produção? Confesso que me surpreendi. Quando contei para alguns portugueses que faria parte da segunda temporada, todos me felicitaram como se eu tivesse conquistado algo raro. Foi ali que entendi a dimensão do sucesso que a série já tinha. Isso trouxe responsabilidade, claro, mas também me deu um gás enorme para mergulhar no papel. Você contracenou bastante com Paolla Oliveira e Caio Blat, nomes muito fortes no Brasil. Como foi dividir cenas com eles dentro de uma série portuguesa? Foi um privilégio. A Paolla e o Caio têm trajetórias muito sólidas e, ao mesmo tempo, são artistas generosos. Eles me receberam superbem, tivemos escuta, troca e leveza no set. Isso facilitou muito a criação da dinâmica entre nossos personagens, que exigia tensão e cumplicidade. Você já tinha atuado na novela Cacau antes de receber o convite para a série. Como essa experiência abriu portas para você e te ajudou a conquistar reconhecimento em Portugal? Cacau foi uma virada na minha trajetória. Foi meu primeiro personagem fixo em uma novela, e ao mesmo tempo estava em horário nobre em Portugal. O retorno do público foi imediato. Eu era reconhecido nas ruas, shoppings, restaurantes. Acho que foi esse reconhecimento que me colocou no radar para Rabo de Peixe. Uma lembrança divertida ou inusitada das gravações nos Açores que você vai levar para sempre? Os voos semanais entre Lisboa e São Miguel já eram uma aventura à parte (risos). Mas o que levo com muito carinho foi o contato com os açorianos. Eles são extremamente calorosos e receptivos, foi lá que senti o sucesso do meu personagem na novela Cacau quando, em algum momento, fui até o shopping almoçar e acabei abordado por muitas pessoas. Você contou que tinha medo de avião. Hoje já viaja tranquilo ou não? Tem algum ritual para voar? Melhorei bastante, mas não posso dizer que o medo passou. Meu ritual é respirar fundo, ouvir música e tentar transformar o voo em uma espécie de preparação mental para a chegada. Ainda me dá frio na barriga, mas já consigo encarar com mais naturalidade. O curta E Seu Corpo é Belo, do qual você é protagonista, já conquistou prêmios importantes e foi finalista no Grande Otelo. O que esse reconhecimento representa para você neste momento da sua carreira? Representa muito. É uma validação artística e também afetiva, porque esse filme fala sobre corpo, desejo, identidade e ancestralidade. Ter esse trabalho reconhecido em festivais e premiações me mostra que estou no caminho certo e me dá mais coragem para escolher projetos que dialoguem com quem eu sou. Atualmente você grava o longa Mate Todos os Lobos, que mistura ficção, resistência histórica e ancestralidade negra. Qual foi o maior desafio em assumir o papel de Amadeo, protagonista dessa história tão simbólica? O maior desafio é justamente a responsabilidade. Amadeo é um personagem que carrega uma dimensão política, afetiva e mítica. Ele é um jovem que se apaixona, mas também é alguém que pode se transformar em lobo. Transitar entre a humanidade e o imaginário foi um exercício intenso, que exigiu entrega física e emocional.