(Adobe Stock) Muito antes de qualquer tremor chamar a atenção, o corpo já pode dar sinais de alerta. Alterações aparentemente comuns, como intestino preso, perda do olfato ou distúrbios do sono, podem surgir até duas décadas antes do diagnóstico da doença de Parkinson. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Daí a importância de olhar além dos sintomas mais conhecidos e combater a desinformação sobre uma condição que afeta cerca de dez milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E a tendência é de crescimento: a projeção é de que esse número dobre até 2050, acompanhando o envelhecimento da população. No Brasil, estima-se que cerca de 200 mil pessoas convivam com a doença. Para o neurologista Diego Salarini, do Hospital São Luiz Jabaquara, o aumento dos casos está diretamente ligado ao envelhecimento, mas não só. “O Parkinson acomete principalmente pessoas acima dos 60 anos, mas fatores ambientais e comportamentais também têm influência importante”, explica. Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido, ele está longe de ser o primeiro a aparecer. Antes das alterações motoras, o Parkinson pode se manifestar de forma silenciosa, atingindo diferentes áreas do sistema nervoso. Entre os principais sinais estão constipação intestinal, perda do olfato, distúrbios do sono e depressão (confira detalhes ao lado). Segundo o especialista, esses sintomas seguem, muitas vezes, uma progressão silenciosa: começam pelo intestino e olfato, avançam para o sono e o humor, até que surgem os sinais mais evidentes, como tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. Com a evolução da doença, também podem aparecer ansiedade, fadiga, dores musculares, alterações na postura, dificuldades para caminhar, além de comprometimento cognitivo em estágios mais avançados. O cérebro O Parkinson é uma doença neurodegenerativa, ou seja, provoca a perda progressiva de células nervosas. No caso, são afetados principalmente os neurônios responsáveis pela produção de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos. Essa perda ocorre em uma região específica do cérebro chamada substância negra. Além disso, há o acúmulo anormal de uma proteína, a alfa-sinucleína, que contribui para o dano celular. “Com a redução da dopamina, o cérebro perde a capacidade de coordenar os movimentos com precisão, o que leva aos sintomas clássicos da doença”, explica Salarini. Ainda não existe cura para o Parkinson, já que o organismo não consegue repor os neurônios perdidos. Mas isso não significa falta de tratamento. Hoje, as abordagens são eficazes para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida (leia mais ao lado). A ciência também avança em novas possibilidades, como terapias gênicas, imunoterapia e pesquisas com células-tronco. Apesar do diagnóstico, é possível viver bem com Parkinson. “Mais importante do que a doença é o paciente. Com acompanhamento adequado, é possível manter autonomia, bem-estar e qualidade de vida por muitos anos”, destaca o neurologista. Sinais Constipação intestinal: resultado de alterações no sistema nervoso que controla o intestino, podendo surgir anos antes do diagnóstico. Perda do olfato (hiposmia): redução da capacidade de sentir cheiros. Distúrbios do sono REM: movimentos bruscos durante o sono, muitas vezes associados a sonhos intensos. Depressão: pode anteceder os sintomas físicos e faz parte do espectro da doença. Como tratar - Medicamentos que aumentam ou imitam a ação da dopamina; - Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional; - Atividade física regular, considerada um dos pilares do tratamento; - Em alguns casos, pode ser indicada a estimulação cerebral profunda, cirurgia que ajuda a controlar sintomas motores mais avançados.