Imagem ilustrativa (Freepik) Não lembro bem quando comecei a gostar de escrever. Mas foi cedo. Bem cedo. Ainda menina, lá pelos 8 anos, fiquei toda feliz de ter uma redação escolhida para participar de um livro que a escola publicava todos os anos, com os melhores textos de todas as séries. Dos estudantes pequeninos do pré aos grandões da oitava. Tinha até tarde de autógrafos. E lá estava eu, orgulhosa de mim, assinando meu livrinho para meus pais, minhas avós e minhas tias em uma mesa de “autores” improvisada no pátio do recreio. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Já no primeiro ano do Ensino Médio, com 15 anos, escrevi um texto de mistério em que a personagem lia um livro do poeta americano Edgar Allan Poe. Escrevi como se passagens da obra começassem a acontecer na vida da personagem. Lembro do sorriso que abri quando a professora me chamou na mesa dela, entregou a redação com uma nota 10 e disse: “brilhante, não pare”. Se não lembro bem quando comecei a escrever, sei que esse foi o momento em que descobri que a escrita, de algum jeito, seria parte da minha vida profissional e da minha identidade pessoal. O gosto pela leitura veio com o exemplo que eu tinha em casa. Lembro do cheiro do jornal de domingo que meu pai trazia de manhã ao passar na banca depois de comprar pão na padaria. Muitas vezes, mais de um jornal. Ele sempre me dava para ler o caderno de cultura, o de imóveis (eu adorava os desenhos das plantas de apartamentos) e os infantis, como A Tribuninha. Também era o dia que ele parava para ler as revistas semanais que assinava. Eu dava uma folheada e até lia alguma coisa. Vejam só: uma parte considerável da minha carreira como jornalista foi construída nas redações de grandes revistas semanais. Minha mãe, professora universitária, historiadora e escritora, sempre foi uma leitora voraz. No fim de semana, quando ela sentava à tarde na cama para ler um livro, eu ía também, carregando um gibi da Turma da Mônica ou um livrinho para minha idade. Quando eu tinha 13 anos, a mãe assinou a revista Capricho para mim. Fiquei maravilhada! Me achei muito gente grande de ter assinatura de revista no meu nome. Com o tempo, minha mãe e eu passamos a indicar livros uma para a outra. Mesmo quando eu ainda não sabia ler, meus pais liam para mim. Foram incontáveis as vezes que repetiram a história de uma abelhinha que eu adorava. A leitura é uma porta para novos mundos. Para viver essa descoberta não existe livro certo. O segredo é encontrar um tema ou estilo de obra que você goste de explorar. E se a leitura nos permite absorver ideias, a escrita nos dá a ferramenta para expressá-las. Escrever não é apenas para best-sellers. É uma forma de organizar o pensamento, de se comunicar melhor e de desenvolver a criatividade. Ao colocar as ideias no papel (ou na tela), nós as tornamos mais concretas, entendemos melhor o que sentimos e, muitas vezes, resolvemos problemas. É um exercício de clareza mental e autoconhecimento. Comece pequeno, não se preocupe com a perfeição e crie uma rotina de escrita. Ler é um exercício para o cérebro: reduz estresse e ansiedade; fortalece a memória e o raciocínio lógico; aumenta a empatia já que experimentamos as emoções das personagens, até nos colocamos no lugar delas, aumentando nossa compreensão do mundo. Escrever também é só benefícios: organiza pensamentos, sentimentos e leva a reflexões que permitem o autoconhecimento - muito do que escrevo para vocês falo para mim mesma. A leitura nutre. A escrita organiza. Juntas, são uma ferramenta poderosa de bem-estar e de ampliação dos horizontes. P.S.: Convite! De 22 a 25 de agosto acontece a Primeira Feira Literária de Santos (Flis)! Será no Salão Orquídea do Hotel Parque Balneário. E eu estarei lá no dia 23, um sábado, das 10h às 13h, para quem quiser conhecer meus três livros, trocar uma ideia e me dar um abraço pessoalmente. Me encontrem no estande da ONG Concidadania, que está fazendo um trabalho incrível para abrir espaço e cuidar com carinho de dezenas de autoras e autores da Baixada Santista no evento - iniciativa da Academia Santista de Letras. Vai ter muita gente lindamente talentosa, todos os dias e horários, para vocês descobrirem no estande. A programação, com mesas de debate, oficinas e performances literárias, está no Instagram (@feiraliterariasantos). Entrada gratuita.