[[legacy_image_226890]] Na próxima quarta-feira (7), centenas de países se reúnem para tentar botar um freio no crescente declínio das espécies e uma das propostas é incluir o custo da extinção na produção humana. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em outras palavras, significa levar para a economia o que ela costuma ignorar em seus borderôs e planilhas: a vida. Nessa proposta, a conta, agora, deve incluir o valor do dano ambiental envolvido na produção de um xampu, bola, carro, comida, vestuário, água… Isso significa dar transparência a essa realidade, contabilizá-la e torná-la tão influente no mercado como qualquer commodity que conhecemos. Não, a ideia não é tão somente monetizar a questão. O objetivo aqui é trazer a biodiversidade para o cotidiano da sociedade. Para uma corrente de pensadores, o ser humano citadino é uma criatura à parte da natureza, já que tudo o que quer chegar à porta de sua casa. É como aquela piada: quando perguntado de onde vem a água, Joãozinho responde de bate-pronto: “Da torneira!” Você, leitor, sabe os rios que abastecem as suas torneiras? A questão é: como inserir o impacto no meio ambiente no que vem pronto, embalado, resfriado, congelado ou desidratado, em qualquer época, das mais longínquas origens? A economia não inclui o custo da vida em toda essa cadeia e nem o ser humano-consumidor se depara com isso em seu cotidiano. E nesse ponto, há um curioso paradoxo. Sob qualquer ponto de vista, notadamente o econômico, a extinção é uma enorme burrice, o que faz da conservação uma bandeira de qualquer matiz político. Por isso, sem um novo conceito de desenvolvimento, a Convenção da Biodiversidade, que começa nesta semana, em Montreal, no Canadá, corre o risco de ser só mais uma. Estará assim limitada a estabelecer metas e prazos que não representam um comprometimento consciente da sociedade, que continuará alheia, como sapo na panela, com a água que nos cerca, fervendo. Solução Seja da saliva de um réptil ou do veneno de um anfíbio, a medicina foi erguida extraindo da natureza a solução para nossas enfermidades. Em 1965, uma proteína encontrada pelo cientista brasileiro Sérgio Henrique Ferreira, em uma jararaca sul-americana, deu origem a um dos mais utilizados medicamentos para hipertensão no mundo: o captopril. Hoje, diversas espécies estão em estado crítico de conservação, muitas sendo vistas como empecilho ao “desenvolvimento”, quando se propõe, por exemplo, o aumento das áreas de proteção ambiental. Hoje, elas cobrem 17% da parte terrestre do globo e menos de 10% para toda parte úmida – oceanos, rios, pântanos e alagadiços. No Brasil, excetuando a região amazônica, menos de 5% do País estão protegidos. Problema Diversos estudos indicam que mais de 50% das espécies de tubarões sumiram do Mar Mediterrâneo. E boa parte das que sobraram apresenta taxas de declínio de até 95% em suas populações. A causa principal seria o excesso de pesca. E a consequência desse desequilíbrio acabou por afetar… a própria pesca. No lugar dos tubarões, outros predadores se multiplicaram, comprometendo os estoques da maioria das espécies de importância comercial. O ecossistema responde dessa forma, em cadeia, com consequências difíceis de serem previstas – quanto mais sanadas a tempo. Uma coisa é certa: a humanidade faz parte indissociável dos elos dessa intrincada cadeia e não está imune aos seus desdobramentos.