Elementos vazados delimitam, mas deixam passar luz, vento e mantêm a integração dos ambientes; há muitas opções. (Rônulo Fialdini/Divulgação) Em projetos contemporâneos, integrar os ambientes deixou de significar eliminar completamente seus limites. Cada vez mais, a arquitetura de interiores recorre a soluções que organizam os espaços de maneira sutil, preservando a fluidez visual e a sensação de amplitude. Assim, painéis, divisórias e elementos vazados ganham protagonismo ao estabelecer setores bem definidos sem comprometer a conexão entre eles. Brises, cobogós, estantes abertas, muxarabis, biombos e painéis produzidos em madeira, MDF, metal ou em combinações entre marcenaria e serralheria figuram entre os recursos que permitem essa composição. Conforme detalha a arquiteta Denise Barretto, além da linguagem estética, essas estruturas colaboram para a passagem de luz natural, favorecem a ventilação e tornam os ambientes mais dinâmicos. “A ideia não é fechar os espaços, como acontece com uma parede convencional, mas sim propiciar permeabilidade entre um ambiente e outro. A visão fica mais livre, o imóvel parece mais amplo e, ao mesmo tempo, cada área tem sua identidade”. Delimitar sem bloquear Com plantas cada vez mais integradas, especialmente em apartamentos, surge o desafio de organizar os diferentes usos sem comprometer a circulação ou reduzir a sensação de espaço. É justamente nesse cenário que painéis e divisórias assumem um papel importante. Segundo Denise, elas permitem estabelecer limites visuais preservando a continuidade dos ambientes. “É uma integração que deixa o ambiente maior e mais aberto, enquanto cada espaço continua claramente definido. Essa leveza faz toda a diferença na percepção do projeto”. A estratégia pode ser aplicada em diversas situações, como separar o hall da sala de estar, delimitar um home office dentro do living, estabelecer uma transição entre jantar e estar ou até oferecer maior privacidade em dormitórios e suítes. Tudo isso sem recorrer à alvenaria. Diversidade de materiais Outro diferencial está na variedade de materiais e desenhos disponíveis. Dependendo da proposta, o elemento pode assumir um papel discreto ou tornar-se protagonista do ambiente. Painéis ripados em madeira ou MDF conferem ritmo visual, enquanto estruturas metálicas acrescentam um aspecto mais contemporâneo e industrial. Já os cobogós e muxarabis permitem jogos de luz e sombra que mudam ao longo do dia, enriquecendo a experiência dos moradores. “As possibilidades são praticamente infinitas e cada uma delas responde às necessidades específicas do projeto”. Esses recursos ainda podem incorporar nichos, prateleiras e espaços expositivos, ampliando seu aproveitamento no cotidiano e fazendo com que a própria divisória passe a exercer outras funções dentro da casa. Mais conforto Além de contribuir para a organização espacial, a escolha do material também pode interferir no conforto dos ambientes. Madeira e MDF, por exemplo, contribuem para o conforto termoacústico. Já os modelos vazados favorecem a circulação do ar e permitem melhor aproveitamento da iluminação natural. Para Denise, essa combinação de características torna painéis e divisórias especialmente interessantes em residências contemporâneas. “Quando pensamos no projeto como um todo, percebemos que eles atendem diferentes demandas ao mesmo tempo”. Outro recurso é a utilização de portas de correr ou pivotantes, que permitem controlar o nível de integração conforme a necessidade. Fechadas, proporcionam maior privacidade; abertas, ampliam a conexão entre os espaços e favorecem a circulação. Elementos Outro ponto relevante é a flexibilidade. Diferentemente das paredes convencionais, muitos desses elementos podem ser adaptados ou substituídos conforme novas necessidades surgem ao longo do tempo, como mudanças na dinâmica familiar ou na configuração dos ambientes. “Hoje as pessoas buscam espaços versáteis, capazes de assumir diferentes usos sem grandes intervenções. Painéis e divisórias, justamente, entregam essa liberdade, permitindo reorganizar a casa de forma muito mais simples”.