O comportamento, o ambiente e até diagnósticos equivocados entram na lista de riscos típicos desta época do ano (Adobe Stock) A chegada do outono costuma acender o sinal de alerta para gripes e resfriados. Com a queda da temperatura e a redução da umidade do ar, a estação cria um ambiente propício para uma série de problemas respiratórios, principalmente nas crianças. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em meio ao início da campanha de vacinação contra a gripe, já disponível para crianças a partir dos 6 meses em unidades de saúde, especialistas chamam atenção para fatores que vão além dos vírus. O comportamento, o ambiente e até diagnósticos equivocados entram na lista de riscos típicos desta época do ano. Segundo a infectologista pediátrica Carolina Brites, o outono funciona como um gatilho para diferentes condições respiratórias. “Com a diminuição da temperatura e da umidade, as vias aéreas ficam mais suscetíveis à inflamação. Isso favorece não apenas gripes e resfriados, mas também rinite alérgica, crises de asma, bronquite e bronquiolite, especialmente em crianças menores de 1 ano”, explica. Um dos principais desafios, de acordo com a especialista, é diferenciar quadros alérgicos de infecções virais, uma confusão comum nesta época em que a mudança climática intensifica a inflamação da mucosa respiratória. “Em geral, processos alérgicos não causam febre, enquanto infecções costumam vir acompanhadas do aumento da temperatura”. Fatores como ácaros, umidade, cheiros fortes e exposição ao fumo passivo também contribuem para agravar o quadro. Com a queda da temperatura, a tendência é que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados, como salas de aula, transporte escolar e dentro de casa, facilitando a circulação de vírus. Mas o problema não está apenas na transmissão: identificar o momento em que um quadro simples se agrava pode ser decisivo. “Febre persistente, tosse que não melhora, cansaço, sonolência e sinais de desconforto respiratório são alertas importantes. Muitas vezes, quadros graves começam de forma leve”, ressalta a médica. Há ainda hábitos cotidianos que passam despercebidos, mas aumentam a vulnerabilidade das crianças. Ambientes pouco ventilados, contato frequente com aglomerações e o uso inadequado de ar-condicionado e ventiladores podem contribuir para o agravamento dos sintomas. “Não é preciso deixar de ligar esses aparelhos, mas é essencial manter os filtros limpos e evitar vento direto na criança”, orienta. A prevenção, segundo a especialista, continua sendo o melhor caminho e começa com medidas simples. Hidratação, alimentação equilibrada, carteira de vacinação em dia e incentivo a atividades ao ar livre ajudam a reduzir os riscos. Outro ponto de atenção é o fumo passivo, ainda presente em muitas rotinas familiares. “A exposição à fumaça aumenta a inflamação das vias aéreas e deixa a criança mais suscetível a infecções”, reforça. Mais do que uma estação marcada por mudanças no clima, o outono exige um olhar atento aos detalhes. Em crianças, pequenos sinais podem indicar o início de quadros mais delicados. A diferença entre uma evolução leve ou mais grave muitas vezes está na rapidez em perceber esses indícios.