Aos 62 anos, Tom Cruise mostra que está em forma e dispensa dublê (Paramount Pictures/Divulgação) Considerado uma das últimas grandes estrelas de Hollywood, Tom Cruise se despede do imbatível agente secreto Ethan Hunt em Missão: Impossível - O Acerto Final como quem dá adeus a um amigo muito querido, que juntos relembram os melhores momentos compartilhados em quase três décadas em uma última conversa. Inclusive, há uma sequência que ilustra bem isso entre Ethan e Luther, personagem de Ving Rhames. O filme cria um elo do presente com as missões passadas de Hunt e outros personagens da saga. Dessa forma, apresenta causa e efeito de forma tão linear e surpreendente quanto a vida pode ser, ao mesmo tempo em que presta um tributo às produções anteriores. Esta é a sensação de quem assistiu aos oito filmes da franquia Missão: Impossível, que é o meu caso. Com direção e roteiro de Christopher McQuarrie, o último filme da franquia, até que Cruise mude de ideia (quem sabe?!), é um épico vibrante com um quê de nostalgia que nos conquista logo na introdução. Desde o início você já sabe qual será o tom dessa trama de ação e aventura, que revisita a era analógica para o deleite de quem associa a fita VHS aos bons tempos do passado. Já já volto a comentar sobre a importância das criações analógicas nessa etapa final da saga de Ethan Hunt. O longa-metragem tem um roteiro dinâmico que se estende por 2h49, feito inteiramente para entreter, com acrobacias, tiros e porradas, típicos da franquia. Mas, em nenhum momento se torna cansativo, pois equilibra a adrenalina com conceitos bíblicos e filosóficos que remetem ao Apocalipse e ao chamado divino do escolhido que está predestinado a salvar a humanidade. Missão: Impossível - O Acerto Final conclui a história iniciada em Missão: Impossível – Acerto de Contas: Parte Um (2023). Ethan Hunt e sua equipe da agência Força Missões Impossíveis (FMI) – ou IMF, em inglês, sigla para Impossible Missions Force, precisam combater uma inteligência artificial poderosa chamada Entidade, que ameaça causar o Armagedom, ou seja, destruir a humanidade em apenas três dias. Contudo, a Entidade não pode ser destruída, apenas neutralizada, para se evitar uma catástrofe global. É justamente para evitar o colapso e salvar milhões de vidas que a presidente dos Estados Unidos, Erika Sloane (Angela Basset), convoca Hunt para essa missão. Porém, antes, Hunt precisa derrotar Gabriel (Esai Morales), um antigo inimigo cuja ambição é governar o mundo controlando a IA. Com Morales, Cruise protagoniza uma das sequências mais emblemáticas do filme: as acrobacias de dois aviões biplanos da década de 1940, onde Cruise se pendura e anda sobre a asa de um deles, mostrando que aos 62 anos está em plena forma e ainda pode dispensar dublê. O uso de equipamentos analógicos como um recurso que dá vantagem sobre a IA não poderia ser mais pontual. Afinal, de que outra forma seria possível não ser rastreado por uma IA conectada à internet na era digital? Em suma, correndo contra o tempo, Hunt abraça a missão se submetendo aos mais altos riscos na terra, no fundo do mar e no ar, oferecendo ao espectador mais exigente uma experiência imersiva eletrizante que chega a ser aflitiva. Quando tudo parece perdido, o agente secreto mais veloz da ficção escapa da fatalidade de forma extraordinária ao som da espetacular trilha sonora de Lorne Balfe, inspirada no tema original do compositor argentino Lalo Schifrin. Sem spoiler, a cena final é tão enigmática quanto o sorriso de Mona Lisa, a musa de Leonardo da Vinci, deixando no ar um possível até breve. Lembrando que a franquia Missão: Impossível foi inspirada na série de TV homônima criada por Bruce Geller, que estreou em 1966, nos EUA. NOTA DA CRÍTICA: + + + + +