(Adobe Stock) Se você pensou em mulher contra homens, que odeia os homens, ou mulher machona, provavelmente se agarrou a estigmas que em nada representam o feminismo. Ser feminista não deixa a mulher menos vaidosa ou mais raivosa. Feminista também não são mulheres mal-amadas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Para você que tem dúvidas, ser feminista, pasme, é: toda mulher que acredita na igualdade entre mulheres e homens. Simples assim. “Feminista é uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”, diz a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, no livro Sejamos Todos Feministas, um bom ponto, pois, no Brasil, as mulheres ocupam apenas 17,7% das cadeiras do Congresso. Como criar políticas públicas que nos protejam se nós, mulheres, não estamos lá para ajudar a construí-las? A ativista americana Bell Hooks relata em O Feminismo É Para Todo Mundo que “feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, exploração sexista e opressão”. O que ela quer dizer é que o sistema patriarcal no qual vivemos é um regime em que os homens governam o mundo e decidem que estupradores são inocentes porque a vítima “provocou”, julgam sobre nossos direitos reprodutivos e matam mulheres que desejam se separar após anos sofrendo violências. Isso é opressão, entende? Esta educação pela qual todos nós passamos também defende que as tarefas domésticas são dever feminino, assim como a criação dos filhos, e que temos que cuidar do homem, ceder e agradar para que goste de nós. Começamos a nos mexer no século 19, quando, nos Estados Unidos e na Europa, as sufragistas lutaram pelo direito ao voto, dando a largada na primeira onda do feminismo. Na segunda onda, a batalha era pelo direito ao trabalho fora de casa, quando as mulheres perceberam que poderiam fazer muito mais que um frango assado ou passar aspirador de pó. No Brasil, a luta das feministas era contra a ditadura. A terceira onda do feminismo, entre 1992 e a década de 2010, procurou cuidar e empoderar as mulheres em diferentes frentes por meio do surgimento de ONGs, diante da falta de apoio dos governantes. Agora estamos na quarta onda e, no Brasil, sofremos com uma grande arrebentação no mar: o recorde de feminicídios. Romper com a tradição oferecida custa muito esforço, porém menos do que as milhares de vidas de mulheres que deixam seus filhos órfãos como resultado da violência implacável de seus companheiros. Igualdade de gênero quer dizer um sistema de equilíbrio entre deveres e direitos e não de opressão. Estamos entendendo que essas bases nas quais todos fomos criados nos parecem erradas quando os limites da violência arrastam uma mulher viva por uma avenida movimentada de São Paulo por apenas dizer ao namorado “não quero mais você”. A mudança também começa quando não criarmos mais nossas filhas para cuidar do ego do sexo masculino, ou nos preocuparmos com o que os homens pensam de nós, ou ensinarmos nossas meninas a “relevar” os erros masculinos ou a enxergarmos as outras mulheres como rivais. Todas essas atitudes reforçam a opressão. O patriarcado só funciona com a cooperação das mulheres e a falta de sororidade entre elas. Conscientização feminista para homens é primordial. A educação de gênero começa em casa, conversando com nossas crianças e explicando que igualdade traz acordos, entendimentos e paz. Que todo dia, e não só 8 de março, seja o Dia da Mulher. O dia de tratar bem a mulher, o dia de não violentar a mulher, o dia de não bater na mulher, o dia de não humilhar a mulher. Que todo dia seja o dia de valorizar a mulher.