(Adobe Stock) Nesta semana, completei um ano como colunista de A Tribuna. Ao longo desse período, escrevi sobre destinos, culturas, gastronomia, curiosidades e experiências de viagem. Mas, ao olhar para trás, percebo que o assunto que mais transformou o turismo não foi a inauguração de um parque, a abertura de uma nova rota aérea ou a descoberta de um destino. Foi o avanço da tecnologia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa não é a primeira vez que o setor vive uma grande revolução. No fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, com a popularização da internet e o surgimento das grandes agências de viagens on-line, muitos decretaram o fim das agências tradicionais. A lógica parecia simples: se o consumidor podia comprar passagens e reservar hotéis sozinho, o agente de viagens deixaria de existir. Era uma previsão que fazia sentido naquele momento. Afinal, bastavam alguns cliques para comparar preços, emitir passagens e montar um roteiro básico. Parecia apenas uma questão de tempo para que o atendimento humano fosse substituído pelas telas. Mas o mercado seguiu outro caminho. As tarefas mais operacionais realmente passaram a ser feitas pela tecnologia. Comprar uma passagem aérea ficou mais simples. Reservar um hotel tornou-se mais rápido. Entretanto, planejar uma boa viagem continuou exigindo algo que nenhum sistema conseguia oferecer: experiência. A internet entrega milhares de opções. O agente de viagens ajuda a escolher a melhor delas. Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a experiência do viajante. Um bom profissional sabe quando um hotel bem avaliado não atende ao perfil de determinada família. Conhece os períodos em que uma cidade costuma ficar lotada, mesmo quando isso não aparece nos buscadores. Entende questões logísticas, sabe quais conexões devem ser evitadas, conhece fornecedores confiáveis e, principalmente, assume responsabilidade pelas recomendações que faz. Com o tempo, o agente deixou de ser apenas um emissor de passagens para se tornar um consultor de viagens. Agora vivemos uma nova transformação. A inteligência artificial chegou ao cotidiano das empresas e, novamente, surgiram previsões de que diversas profissões desapareceriam. Entre elas, mais uma vez, a do agente de viagens. Na minha visão, a história tende a se repetir. A inteligência artificial é uma ferramenta extraordinária. Ela organiza informações, traduz idiomas, compara alternativas, ajuda a montar roteiros, resume conteúdos e aumenta significativamente a produtividade de quem trabalha com turismo. Utilizada de forma inteligente, economiza horas de pesquisa e permite que o profissional dedique mais tempo ao atendimento e ao planejamento. Mas existe uma diferença importante entre produzir uma resposta e oferecer uma orientação confiável. A inteligência artificial trabalha a partir de enormes volumes de informação. Ainda assim, pode apresentar dados desatualizados, interpretar contextos de forma equivocada ou sugerir experiências que, na prática, não correspondem à realidade. Ela não visitou um hotel, não enfrentou uma conexão complicada, não acompanhou um grupo durante uma viagem nem precisou encontrar soluções quando um voo foi cancelado. É justamente aí que entra o papel do profissional. Quem conhece um destino de perto consegue identificar detalhes que dificilmente aparecem em uma pesquisa. Sabe indicar não apenas o que é bonito, mas o que realmente vale a pena para cada perfil de viajante. Afinal, uma viagem perfeita para um casal pode ser inadequada para uma família com crianças ou para um grupo de idosos. Recentemente, a revista The Economist destacou a retomada da valorização dos agentes de viagens em diversos mercados. A explicação é simples: quanto maior o volume de informação disponível, maior também a necessidade de alguém capaz de selecionar, interpretar e transformar esses dados em boas decisões. Vivemos uma época em que qualquer pessoa consegue obter respostas em poucos segundos. O verdadeiro diferencial passou a ser saber quais respostas merecem confiança. Depois de mais de três décadas trabalhando com turismo, continuo acreditando que a essência da profissão permanece a mesma. O agente de viagens não vende apenas passagens, hotéis ou roteiros. Ele vende tranquilidade, segurança, conhecimento e experiência. A tecnologia continuará evoluindo. A inteligência artificial ficará cada vez mais eficiente. E isso é uma excelente notícia. Não porque substituirá o agente de viagens, mas porque permitirá que os bons profissionais sejam ainda melhores. No turismo, como em tantas outras áreas, o futuro não pertence à inteligência artificial sozinha, nem ao profissional que ignora a tecnologia. Pertence a quem souber unir inovação, conhecimento e experiência para transformar informações em viagens inesquecíveis.