Uma tecnologia a laser vem ganhando cada vez mais espaço no consultório dos oftalmologistas: o SLT (Adobe Stock) O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, afetando milhões de pessoas, sobretudo acima dos 40 anos. Tradicionalmente, o tratamento tem sido feito com o uso contínuo de colírios para reduzir a pressão intraocular ou, em casos mais graves, com cirurgias invasivas. Mas uma tecnologia a laser vem ganhando cada vez mais espaço no consultório dos oftalmologistas: o SLT (trabeculoplastia seletiva a laser). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como funciona o SLT? O SLT utiliza pulsos de laser de baixa energia, que atuam seletivamente nas células pigmentadas da malha trabecular — estrutura responsável pela drenagem do humor aquoso dentro dos olhos. Esse estímulo melhora a saída desse líquido e ajuda a reduzir a pressão intraocular, principal fator de risco para a progressão do glaucoma. “O laser SLT atinge o ângulo dos olhos dos pacientes que estão começando com a doença. Após o tratamento, essas pessoas chegam a ter o problema tão bem controlado quanto à pressão intraocular que podem não precisar nem mais usar colírios ou diminuir a necessidade dos mesmos”, explica o oftalmologista Eduardo Paulino. Principais vantagens Esse procedimento não é invasivo, ou seja, dispensa cortes ou implantes. Além disso, apresenta um perfil de segurança elevado, com baixa taxa de complicações. Em termos de eficácia, em muitos casos consegue reduzir, ou até mesmo substituir, o uso de colírios. Outro ponto positivo é a chance de repetição: o tratamento pode ser refeito caso a pressão volte a subir, diferentemente do laser de argônio, que gera cicatriz no local. Segundo o médico Eduardo Paulino, até mesmo pacientes em estágios mais avançados se beneficiam da tecnologia. “Para quem tem a doença há mais tempo e precisa do uso regular de vários colírios, o laser pode diminuir essa necessidade de forma intensa”. Para quem é indicado O SLT é indicado principalmente para pacientes com glaucoma de ângulo aberto, a forma mais comum da doença. Pode ser utilizado como tratamento inicial ou como complemento ao uso de medicamentos. Estudos internacionais mostram que cerca de 80% dos pacientes respondem bem ao procedimento, com queda significativa da pressão ocular por até cinco anos. Avanço que chega ao Brasil “Alguns centros no Brasil vêm usando esse tipo de laser, seguindo essa moderna tendência mundial. Vamos instalar um aparelho com essa alta tecnologia que está vindo da Alemanha e chegará a nossa clínica já no início de setembro. A intenção é poder oferecer com o novo tratamento o máximo de segurança e eficácia aos pacientes”, ressalta o oftalmologista Eduardo Paulino. “Temos o foco de permitir a utilização desse novo recurso por outros especialistas em glaucoma do nosso instituto de olhos, o que vai permitir maior acesso à população”, diz Paulino. Segundo ele, a aplicação é rápida (dura poucos minutos), indolor na maioria das vezes e não precisa ser feita em centro cirúrgico. “O paciente senta na frente do aparelho, que está agregado ao que chamamos de lâmpada de fenda. Após pingar o colírio anestésico, colocamos uma lente de contato com espelhos especiais para fazer a aplicação. O procedimento não requer nenhum tipo de curativo. Após esse processo, o paciente pode voltar as suas funções em curto período de tempo”. Apesar dos avanços, é importante lembrar que a eficácia do SLT depende do diagnóstico precoce. O glaucoma é uma doença silenciosa, que geralmente não apresenta sintomas até estágios avançados. Por isso, consultas oftalmológicas regulares são fundamentais, especialmente após os 40 anos ou em pessoas com histórico familiar. *Cláudia Duarte é jornalista especialista em saúde.