Nas fases iniciais, o câncer de próstata pode se desenvolver sem sintomas, por isso é importante a prevenção (Prefeitura de Bertioga/ Divulgação) A dor costuma ser um motivo para procurar o médico. No câncer de próstata, porém, esperar por ela pode atrasar o diagnóstico e comprometer as chances de cura. Nas fases iniciais, a doença pode se desenvolver sem sintomas. Com o tema “Homem que se cuida vai ao urologista”, a campanha Novembro Azul da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) reforça a importância de ir ao médico mesmo quando não há desconforto ou mudanças perceptíveis no corpo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O câncer de próstata desafia duas ideias arraigadas sobre a saúde: a de que uma doença importante sempre avisa que chegou e a de que todo tumor precisa ser tratado imediatamente. Em alguns casos de baixo risco, porém, apenas acompanhar sua evolução é uma conduta médica prevista. E, nas fases iniciais, ele pode não provocar sintomas. Mas, a dimensão do problema justifica a atenção. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 77.920 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A idade, o histórico de câncer de próstata em pai ou irmão, (especialmente antes dos 60 anos) e o excesso de gordura corporal — associado às formas avançadas da doença — estão entre os fatores de risco. Publicação recente da SBU ajuda a esclarecer essa diferença. Em nota publicada na última terça-feira, a entidade afirma que o toque retal não é obrigatório para todos os homens sem sintomas. O exame mantém sua utilidade e pode complementar o PSA e a avaliação clínica quando houver indicação individualizada. Nenhum deles, isoladamente, oferece uma resposta definitiva. O PSA é uma proteína produzida pela próstata e medida por um exame de sangue. Seu aumento pode levantar suspeitas, mas não equivale a um diagnóstico. “O PSA não deve ser interpretado isoladamente. Um resultado elevado pode ocorrer por uma alteração benigna e não significa que o paciente tenha câncer ou precise fazer uma biópsia imediatamente. Precisamos avaliar esse resultado junto aos demais achados para definir o próximo passo”, explica o urologista Fabio Atz. Conforme os resultados, a investigação pode incluir ressonância magnética e, quando indicada, biópsia. É a análise das amostras de tecido que confirma o câncer e fornece informações para orientar a conduta. Há uma razão para evitar decisões automáticas. Os exames podem identificar tumores que jamais provocariam problemas mais sérios ao longo da vida. Tratar essas lesões pode expor o paciente a consequências, como incontinência urinária e disfunção sexual, sem benefício correspondente. Dificuldade para urinar, jato mais fraco, aumento das idas ao banheiro e sangue na urina merecem atenção médica. O objetivo da consulta é esclarecer a causa das alterações e definir os próximos passos, sem antecipar conclusões. Mesmo quando o câncer é confirmado, não existe uma única resposta. A escolha depende da agressividade e da extensão do tumor, além das condições de saúde do paciente. Cirurgia e radioterapia estão entre as opções de tratamento para a doença localizada. Já determinados tumores de baixo risco podem ser apenas acompanhados pelo médico. Nesse acompanhamento, consultas e exames periódicos procuram identificar mudanças, que podem exigir algum tratamento. Cuidar da próstata envolve reconhecer sintomas, conhecer o próprio risco e participar das decisões, inclusive quando a recomendação é de apenas acompanhar.