A santista Anna Flávia Camargo descobriu que uma vilã pode ser tão exagerada quanto divertida. Na pele de Débora, antagonista de O Doutor que Marcou Meu Destino, novela vertical da plataforma ReelShort, a atriz mergulhou em uma personagem manipuladora, interesseira e cruel, mas também caricata e cheia de humor. O resultado conquistou o público: a produção já ultrapassou 35 milhões de visualizações poucas semanas depois da estreia. Acostumada a transitar por diferentes universos na atuação, Anna encarou também um desafio particular ao interpretar uma mãe completamente distante da mulher que é na vida real. Mãe de Gael, ela conta que até o filho estranhou ao vê-la no papel. Paralelamente à carreira artística, a atriz se dedica à pauta da neurodiversidade e prepara para 2027 o lançamento do livro Autismo e o Princípio das 24 Horas, baseado na experiência da família e no método criado por ela. Nesta entrevista, Anna fala sobre a construção da vilã, a novidade do formato vertical, a maternidade e sua relação com Santos. Como você construiu a personagem Débora e encontrou o equilíbrio entre maldade e humor? A Débora é uma vilã deliciosa porque ela é péssima! (risos) Eu fui para um lugar exagerado e caricato, mas sem perder a verdade. O humor nasce justamente do absurdo dela. E essa construção foi muito coletiva, com o apoio essencial do preparador Roumer Canhães, do diretor Pedro Gui, da assistente de direção Marianna Rosa e de toda a equipe envolvida. Dramaturgia é isso: ninguém constrói nada sozinho. Como foi interpretar uma mãe tão cruel sendo mãe na vida real? Foi engraçado justamente porque é o oposto de mim e de como vivo a maternidade. Sou uma mãe extremamente comprometida e muito conectada com meu filho. Viver uma mãe tão distante da minha realidade foi um desafio muito grande como atriz. Mudou algo na sua atuação o fato da novela ser exibida em formato vertical? Para mim, o vertical veio para ficar. É prático, jovem, moderno e permite acompanhar uma história no celular, onde e quando quiser. Eu adorei experimentar essa linguagem. Agora, para o ator, é correria! (risos) Tudo acontece muito rápido e exige muita entrega e texto na ponta da língua. Como recebeu os milhões de visualizações e a repercussão da Débora? Foi uma surpresa enorme, e esse número já foi até ultrapassado! Isso mostra a força desse formato. Fiquei muito feliz com a repercussão da Débora porque ela funcionou. Quando o público ama odiar uma vilã, a gente sabe que chegou onde queria. (risos) O que a neurodiversidade e o Método 1:1 NM24, voltado ao desenvolvimento de crianças com transtorno do espectro autista (TEA), ensinaram sobre maternidade e autismo? Esse mergulho na neurodiversidade me ensinou a olhar o mundo de outra forma e a entender que a gente nunca termina de aprender, porque sempre existe algo novo. Você pode estudar, ler, se preparar, mas quando vive isso dentro de casa, nas 24 horas do dia, o olhar muda completamente. Foi assim que eu entendi, na prática, que o autismo é um espectro muito amplo e que cada pessoa tem suas próprias particularidades, mas também que existe uma base que começa justamente na rotina, na vida real. E foi vivendo tudo isso que nasceu o Método 1:1 NM24. O que você quer que o leitor encontre no livro Autismo e o Princípio das 24 Horas? Quero que encontre acolhimento, informação e, principalmente, possibilidades. Costumo dizer que coloquei ali tudo o que gostaria que tivessem me entregado quando saí do consultório com o diagnóstico de autismo do Gael. É uma história real, com um direcionamento genuíno e com base em evidências, que mostra que o desenvolvimento não acontece apenas na terapia. A vida acontece 24 horas. O que Santos representa para você? Santos é minha raiz, é o lugar onde eu nasci e onde começou a minha história. Meu pai, minha mãe e minha avó moram aí até hoje, então estou sempre indo e voltando. Tenho amigos de uma vida inteira, histórias e memórias que fazem parte de quem eu sou. Chegar em Santos é chegar em casa.