(Adobe Stock) Uma das minhas amigas mais queridas está enfrentando um câncer de mama em estágio avançado. Finalizou a primeira parte das sessões de quimioterapia, passará em breve por cirurgia e deve encarar outras tantas sessões de quimio. A mastectomia será necessária. Do nosso grupo de amigas, ela sempre foi uma das mais espiritualizadas e otimistas diante dos desafios da vida. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Dia desses revelou ter sentido medo pela primeira vez em relação à doença. Compartilhou um texto sobre quanto a gente atravessa nossa existência sempre desejando que o futuro, que julgamos poder ser melhor, chegue logo: o fim de semana, as férias, a data da viagem, o dia do pagamento... Focamos em acelerar o tempo sem perceber que ele já é mais rápido do que nos damos conta. E quando nos damos conta talvez o tempo tenha avançado demais. Fiquei pensando quantas vezes eu quis que as coisas andassem logo! Que o desejo pelo que virá diminui minha presença no que está acontecendo agora, ao redor - e é maravilhoso. Em um mundo veloz, que as novidades e mudanças praticamente se sobrepõem, sem ao menos a gente se acostumar com o que está aprendendo ou conhecendo e já tem mais pra aprender e conhecer, é fácil correr olhando sempre para frente em excesso. Buscar o fim sem aproveitar a jornada. Chegar na meta sem estruturar de verdade e profundidade o que dará sentido à conquista. O resultado é andarmos aflitos e angustiados sem notar que o melhor está acontecendo nesse instante. É clichê dizer que a felicidade está nos detalhes do cotidiano. Nada original. Mas reflita quando você foi mais feliz, com consistência. Os grandes eventos da vida são marcantes. Só ocorreram, porém, porque teve uma construção no caminho. É nesse intervalo entre grandiosidades que o sentido se faz. Minhas férias estão batendo na porta, mas tratei de mudar a chavinha. Ficar feliz pelos dias de descanso que se aproximam sem deixar de dar valor às muitas emoções e situações experimentadas ao longo deste primeiro semestre. Como fazer, num mundo cheio de dores, o presente ter significado? A gente pode começar lembrando que alegria também é resistência. E o que nos dá alegria em meio ao caos? Passar tempo de qualidade com pessoas que amamos e nos são queridas. Abraçar e beijar. Brincar com crianças ou bichinhos de estimação. Conhecer novos lugares e culturas - que criam memórias positivas duradouras. Apreciar as sensações da natureza: barulho do vento, som do mar, cheiro da chuva, calor do sol. Não dá para esquecer aquela comida gostosa! Investir no que traz satisfação como ler um livro, ouvir música, ver um filme. Aliás, é cientificamente comprovado que o contato com a arte é uma ferramenta poderosa de combate à ansiedade e à depressão. Espero que você transforme o presente no maior "presente" que possa se dar. P.S.: Tem guerra rolando, possibilidade de conflitos serem ampliados, gente inocente morrendo, desigualdades socioeconômicas, violências, insegurança. Nada fácil achar o mundo um lugar joia. Mas a magia também está lá. “What a Wonderful World”, na voz marcante de Louis Armstrong, nos dá uma lista bem bonita do que, apesar de tudo, nos faz sorrir.