<p data-end="631" data-start="123">Há algum tempo eu vinha repensando o tipo de roupa que compro. Mais especificamente, como garantir que minhas escolhas de moda impactassem o menos possível o meio ambiente e a sociedade. Pensei até em aprender a costurar minhas próprias roupas, mas sou a negação do talento manual. Desculpa, tia Marcia, minha fada das costuras e trabalhos manuais. Ela até tentou, quando eu era menina, me ensinar a fazer tricô. Desastre. Pelo menos segui sua vocação e virei professora - não de todo uma decepção, afinal.</p> <p data-end="1296" data-start="633">E por que tamanha preocupação com o que vai no meu armário? A indústria têxtil é a segunda mais poluente do mundo. Seus processos de tingimento e acabamento são os que mais poluem as águas, além de serem fontes de microplásticos que vão parar no oceano. A fabricação de fibras sintéticas derivadas do petróleo responde por 8% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo levantamento da consultoria McKinsey. São 92 milhões de toneladas de descarte. E quando uma peça de vestuário é barata demais, desconfie: quem a costurou não recebeu o suficiente pela mão de obra empregada. O chamado fast fashion de grandes varejistas tem seu preço - e é humano.</p> <p data-end="1911" data-start="1298">Ao comprar só mais uma blusinha baratinha para aplacar o desejo de consumo, você contribui para uma cadeia que resulta em desastres naturais provocados por mudanças climáticas que estão matando milhares de pessoas em todo o planeta. Já pensou nisso? É claro que essa conta não é tão simples. Se uma pessoa precisa de uma blusa nova para uma entrevista de emprego, por exemplo, e só consegue comprar a mais em conta, assim será. Em um país de desigualdades, seria arrogância minha imaginar que todo brasileiro pode pagar mais por roupas produzidas com responsabilidade socioambiental sem comprometer o orçamento.</p> <p data-end="2342" data-start="1913">O problema é que, na maioria das vezes, não compramos por necessidade. E, sim, por impulso, para lidar com emoções mal resolvidas, para impressionar quem não interessa… É gostoso comprar roupa nova para se sentir bonita. A questão é quanto essa compra reflete fuga de realidades e sentimentos a ponto de se tornar ação impensada das consequências - que vão desde dificuldades financeiras até desequilíbrios nos relacionamentos.</p> <p data-end="2805" data-start="2344">Então, comecei minha transformação escolhendo peças em lojas conhecidas do grande público cujos selos garantem produção consciente. Muitas marcas já oferecem essa opção de ao menos parte da coleção ser certificada. Depois, passei a acompanhar postagens de uma aluna minha, a Hanne, que é consultora de imagem e trabalha com uma marca maravilhosa de roupa sustentável. Fiquei namorando um tempão o Instagram da loja, que fica no bairro Pinheiros, em São Paulo.</p> <p data-end="3348" data-start="2807">Minha primeira visita lá me deixou muito feliz! Não apenas encontrei um lugar direcionado por responsabilidade socioambiental em toda cadeia de produção e venda, como achei looks lindos, para mulheres de todos os tamanhos, super confortáveis, contemporâneos e atemporais para serem usados por bastante tempo. Ainda tem um espaço para deixar roupas velhinhas para reciclagem, o que é fundamental - apenas 1% das peças usadas são recicladas. Precisamos melhorar isso. E, não, você não pode mandar roupa furada, rasgada, manchada para doação.</p> <p data-end="3684" data-start="3350">Não é uma mudança de comportamento simples, eu sei. Comece devagar. Uma peça certificada aqui, outra ali. Procurar locais de reciclagem de roupas. Conferir o que tem de legal nos brechós. Ninguém precisa deixar de gostar de moda e caprichar no visual. Mas se responsabilizar pelos impactos de nossas escolhas não dá para adiar mais.</p> <p data-end="3833" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3686">P.S.: Vale seguir no Instagram a querida Hanne, inclusive especialista em coloração pessoal, no @hannekiss, e a @uhnika, marca de moda sustentável.</p>