Documentário biográfico O Sal da Terra foi indicado ao Oscar em 2015 (Decia Films/Divulgação) Se uma imagem vale por mil palavras, sendo de Sebastião Salgado, um dos mais renomados fotojornalistas do mundo, vale um idioma inteiro. Aliás, ao retratar as dores de populações miseráveis ao redor do mundo, à mercê da fome, vítimas da brutalidade das guerras e do ápice da crueldade humana, mas também o milagre da vida em cada canto onde a natureza pode florescer e se regenerar, o fotógrafo brasileiro fundiu horror e beleza em fotos. Ele fez da fotografia a carta universal, o álbum de memórias de um planeta diverso. Nascido em Aimorés, em Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944, Sebastião Ribeiro Salgado Júnior faleceu aos 81 anos no dia 23 de maio, em Paris (França), onde escolheu fixar o seu lar por toda a vida, ao lado da esposa, a arquiteta e ambientalista Lélia Wanick, e de seus dois filhos, Juliano e Rodrigo, que tem síndrome de Down. Sebastião Salgado não resistiu a uma severa leucemia, que evoluiu em razão do seu frágil sistema imunológico combalido por uma malária contraída em 2010, na Indonésia. Ele viajou por cerca de 120 países. Em tributo ao fotógrafo, fãs e admiradores do seu trabalho têm assistido ou revisitado o documentário O Sal da Terra, que retrata o legado profissional e a vida do mestre da fotografia documental, social e ambiental. O filme é dirigido pelo filho mais velho de Sebastião, Juliano Salgado, e pelo aclamado cineasta alemão Wim Wenders, diretor de Paris, Texas (1984) e Asas do Desejo (1987), que inspirou Cidade dos Anjos (1998), de Brad Silberling, com Nicolas Cage e Meg Ryan. O Sal da Terra foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Documentário em 2015, perdendo o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para Citizenfour, de Laura Poitras. Mas, o filme conquistou o prêmio César de melhor documentário e o prêmio do júri na seção Um Certo Olhar, do Festival de Cannes. Enquanto biografia documental, é uma obra-prima tanto pelas fotografias que enriquecem o visual do filme, obviamente, mas especialmente porque captura a essência de um homem notável que, por meio da fotografia, nos levou a conhecer os rincões do mundo e nos ensinou que mesmo na mais desesperada situação ninguém perde a sua dignidade, seja adulto, criança, homem ou mulher. Sobreviver, não se render, é um ato de resistência contra a barbárie. Sob luz e sombra, em close, dirigido por Wenders, Sebastião Salgado conta a sua trajetória em bom francês, o que viu, sentiu e como tudo o que vivenciou e as pessoas que conheceu o transformaram profundamente. É um relato magnífico tanto quanto importante pela ótica social, política e geopolítica. Comovente é o depoimento de Sebastião Salgado, o pai, um homem simples, que viveu na fazenda da família e fala do único filho varão, entre sete irmãs, entregando que ele não gostava de estudar, mas que ficou orgulhoso quando ele se formou em Economia. O Sal da Terra também reporta o Instituto Terra, fundado por Lélia e Sebastião, por meio do qual eles reflorestaram a antiga fazenda da família, em Aimorés, plantando 3 milhões de mudas de árvores. O santuário ecológico passou a ser o habitat de espécies de animais selvagens da região, inclusive, onças. No filme, Sebastião conta um pouco de como eram as suas expedições que renderam os livros Outras Américas (1986), Sahel: O Homem em Agonia (1986), Trabalhadores (1992), Serra Pelada (1986), Terra (1997), Êxodos (2000) e Gênesis (2013). Em suma, o documentário captura a aura humanista de um homem extraordinário que registrou a humanidade de cada pessoa que conheceu durante suas excursões mundo afora e as chamou de sal da Terra. O documentário está disponível no Globoplay.