A meningite meningocócica avança no Brasil e médicos reforçam alerta para a prevenção (Adobe Stock) A meningite meningocócica se confirma como uma das doenças infecciosas mais graves e rápidas em evolução, com impacto crescente no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o País registrou 728 casos e 159 óbitos em 2023, número que subiu para 824 casos e 174 mortes em 2024. Em 2025, até 28 de outubro, o avanço continua acelerado: já são 833 casos e 165 mortes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Estados como Alagoas, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul apresentam crescimento contínuo desde 2021, e algumas regiões de Alagoas e RS decretaram surto. Causada pela bactéria Neisseria meningitidis, a doença provoca uma inflamação nas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. É conhecida pela gravidade e pela capacidade de evoluir em poucas horas: um quadro pode levar à morte em até 24 horas. Encontro em São Paulo, promovido pela GSK e intitulado “Meningite Meningo-cócica: um alerta à saúde no Brasil” reuniu especialistas que apresentaram dados atualizados sobre o aumento de casos no País. A letalidade brasileira — entre 22% e 24% — é mais que o dobro da média mundial (10%). Sem tratamento rápido, a taxa de fatalidade chega a 50%. Entre os sobreviventes, 10% a 20% ficam com sequelas severas, como comprometimento neurológico, perda auditiva ou amputações. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias: tosse, espirro, beijo ou compartilhamento de copos e utensílios. Ambientes fechados e pouco ventilados favorecem a circulação da bactéria. Sintomas Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem confundir, como febre, irritabilidade, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Na sequência, podem surgir os sinais clássicos da meningite meningocócica, entre eles as manchas arroxeadas na pele, a rigidez no pescoço e a sensibilidade à luz. Sem tratamento imediato, pode evoluir para confusão mental, convulsões, choque, infecção generalizada e falência múltipla de órgãos. “Quando diagnosticada rapidamente e tratada de forma adequada, a maior parte dos pacientes pode se recuperar completamente. Por isso, é fundamental estar atento aos sinais e buscar atendimento médico o quanto antes”, orienta a farmacêutica e imunologista Ana Medina, gerente médica de vacinas da GSK. Embora seja mais comum em crianças menores de 5 anos, a doença pode atingir qualquer faixa etária. Adolescentes e adultos jovens merecem atenção especial: até 23% deles podem carregar a bactéria na garganta sem apresentar sintomas — são os portadores assintomáticos, que desempenham papel importante na transmissão. O meningococo possui 13 sorogrupos identificados, sendo seis os mais relevantes: A, B, C, W, X e Y. A melhor forma de prevenção continua sendo a vacinação, considerada a medida mais eficaz para evitar a meningite meningocócica. No Brasil, os imunizantes disponíveis oferecem proteção contra cinco desses sorogrupos — A, B, C, W e Y — cobrindo justamente os que mais circulam no País.