Número de mortes por melanoma no Brasil aumenta e há projeções de elevação de 80% até 2040 (Adobe Stock) O câncer de pele, na maioria das vezes atribuído à exposição aos raios ultravioleta, vem aumentando, principalmente em regiões com clima tropical e redução na camada de ozônio. Em países com populações heterogêneas, que vivenciaram intensos fluxos migratórios — como Brasil, Argentina e Colômbia — há elevada concentração de pessoas com ascendência europeia, característica considerada fator de risco. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! No Brasil, a análise dos óbitos por melanoma entre os anos 2000 e 2023 indica uma tendência crescente no número de mortes. Além disso, dados do Cancer Tomorrow, ferramenta da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC), sugerem que as mortes anuais por melanoma no Brasil poderão saltar de 2,2 mil (em 2020) para 4 mil (em 2040), um aumento de 80% no comparativo entre os dois anos. Ter cabelos loiros ou ruivos, pele clara e olhos claros são algumas das características físicas associadas ao risco aumentado de desenvolver melanoma, bem como apresentar sardas ou um número elevado de pintas. Na Argentina, por exemplo, regiões com elevada prevalência de pessoas com pele clara, como Buenos Aires, apresentam taxas de mortalidade por melanoma muito superiores às encontradas em províncias como Salta e Tucumán, nas quais predominam pessoas de ascendência indígena. No Brasil, da mesma forma, a incidência da doença é maior em habitantes da Região Sul, com ascendência europeia. A hereditariedade é um fator de risco. No entanto, cerca de 75% dos casos de melanoma em todo o mundo são atribuídos à exposição inadequada aos raios ultravioleta. Isso porque os danos provocados pela radiação solar são cumulativos. Sendo assim, a idade avançada constitui um indicador de perigo. “Os latino-americanos são frequentemente expostos à radiação ultravioleta em função do clima tropical, da alta altitude e da redução da camada de ozônio. Isso também tem a ver com questões culturais, já que a pele bronzeada é sinônimo de beleza e saúde em alguns países. A conscientização é fundamental”, diz a médica Adriana Ribeiro, diretora da Pfizer no Brasil. “Em maio, o mês mundial de combate ao melanoma, temos mais uma oportunidade de informar”. As mudanças ambientais das últimas décadas também vêm sendo analisadas no contexto do melanoma, especialmente os danos na camada de ozônio. Estudos apontam maior incidência de melanoma entre as populações que vivem sob o buraco na camada de ozônio localizado no sul do Chile e no sul do Brasil, em comparação com moradores de regiões que não enfrentam essa situação. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no prognóstico do paciente. A taxa de sobrevida de cinco anos passa de 99% nos casos diagnosticados precocemente, com a doença em fase inicial. No entanto, essa porcentagem cai para 35% quando a detecção ocorre em estágios mais avançados, em que há metástases para órgãos distantes, por exemplo. Taxas menores de sobrevivência vêm sendo observadas em pacientes que residem em áreas de baixa renda. Por isso, é importante, pelo menos, uma consulta anual ao médico dermatologista para uma avaliação geral da pele. Recente pesquisa que analisou 29 mil casos da doença registrados ao longo de 15 anos apontou que 46% dos pacientes tinham sido diagnosticados nos estágios 3 e 4 do tumor, os mais avançados. A Pfizer, a partir do desenvolvimento da combinação Braftovi (encorafenibe) + Mektovi (binimetinibe), oferece um tratamento inovador aprovado no Brasil para pacientes com melanoma positivo para a mutação Braf (V600E), considerando adultos em fase metastática e aqueles que não podem passar pela remoção cirúrgica. Desenvolvidos pela empresa farmacêutica, os dois medicamentos foram lançados no Brasil em 2023 e incorporados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ao rol de tratamentos de cobertura obrigatória dos planos de saúde. Cerca de metade dos pacientes diagnosticados com melanoma metastático apresenta tumores positivos para a mutação Braf. Durante o programa de desenvolvimento clínico, os pesquisadores constataram que a combinação mais do que dobrou a sobrevida livre de progressão da doença (14,9 meses), em comparação com o grupo de controle (7,3 meses), que recebeu um inibidor da mutação Braf de forma isolada. De administração oral, o que favorece a adesão ao tratamento, a terapia combinada levou à redução ou ao desaparecimento do tumor na maioria dos participantes do estudo (63%). “É fundamental avançar na oferta de tratamentos que possam dar uma vida melhor e mais longa aos pacientes com melanoma”, sintetiza Adriana Ribeiro. Lesões suspeitas têm os seguintes aspectos: · Assimetria: imagine uma divisão no meio da pinta e verifique se os dois lados são iguais (caso contrário, é preciso investigar) · Bordas irregulares: pintas dentadas, chanfradas e com sulcos devem ser investigadas · Cores diferentes: a coloração não é a mesma em toda a pinta. Há diferentes tons de marrom, preto e, às vezes, azul, vermelho ou branco · Diâmetro: é importante analisar se a pinta ou mancha está crescendo progressivamente ou se é maior que 0,5 cm · Evolução suspeita: mudança na aparência da pinta ou crescimento rápido é sinal de alerta