Informação e prevenção podem salvar vidas (AdobeStock) Outubro é o mês em que o mundo se veste de rosa para falar de um tema que ainda assusta, mas precisa ser encarado com clareza e muita responsabilidade: o câncer de mama. Conforme a médica ginecologista e obstetra Juliana Stivaletti, a campanha Outubro Rosa tem o objetivo de conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença, com o laço rosa simbolizando a coragem e a união das mulheres sobre esse tema. Em reunião ordinária do Rotary Club de Santos, na última quarta-feira, Juliana ressaltou que o câncer de mama é o segundo mais frequente entre as brasileiras. “Fica atrás apenas do câncer de pele não melanoma”. Apesar disso, a ciência traz uma mensagem de esperança: quando descoberto em fases iniciais, o câncer de mama tem até 99% de chance de cura. Nos países desenvolvidos, a taxa de sobrevida em cinco anos chega a 90%. No Brasil, varia entre 75% e 80%. Entre os fatores de risco estão idade acima de 50 anos, histórico familiar da doença, mutações genéticas como nos genes BRCA1 e BRCA2, além de hábitos de vida e questões hormonais. Sobrepeso, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabagismo também aumentam as chances de desenvolver o tumor. Já a amamentação, a prática regular de atividade física e a manutenção de um peso saudável aparecem como fatores protetores. De acordo com a ginecologista, os sinais de alerta incluem nódulo endurecido na mama ou nas axilas, alterações na pele, secreção anormal (principalmente sanguinolenta e transparente), além de mudanças nas características do mamilo. “Diante de qualquer alteração persistente nas mamas, a orientação é procurar um médico imediatamente para avaliação”, alerta a médica. Para mulheres a partir dos 40 anos, a mamografia é o exame mais eficaz para rastreamento, e o diagnóstico precoce se dá a partir da biópsia, quando indicada. Outros exames, como ultrassonografia e ressonância magnética, podem complementar a investigação em situações específicas. A médica ressalta que o tratamento depende do estágio da doença, do tamanho e da localização do tumor e do tipo histológico, e pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo. “Avanços recentes têm permitido cirurgias menos mutilantes e protocolos mais personalizados, aumentando as chances de cura e a qualidade de vida das pacientes”. “Falar sobre câncer de mama é quebrar tabus, vencer o medo e salvar vidas. A informação é importantíssima e reduz o impacto da doença. Em outubro — e em todos os meses do ano — a mensagem é clara: diagnóstico precoce é sinônimo de esperança e de mais anos de vida”, finaliza Juliana. Atenção Fatores de risco Câncer de ovário na família Câncer de mama em homens na família Câncer de mama em mulheres antes dos 50 anos na família Alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 História familiar de câncer de mama ou lesões proliferativas com atipia Sintomas Nódulo endurecido: caroço fixo e geralmente sem dor (principal manifestação em 90% dos casos) Alterações no mamilo: mudanças no formato, retração ou inversão do bico do peito Nódulos nas axilas: pequenos caroços na região das axilas ou pescoço (linfonodos) Secreção anormal: saída espontânea de líquido de um dos mamilos Alterações na pele: vermelhidão, retração ou aspecto de “casca de laranja” Números O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou um balanço sobre o câncer de mama no Brasil: são estimados 73.610 novos casos este ano. Em 2023, foram mais de 20 mil mortes pela doença no país. Entre 2020 e 2023, houve redução da mortalidade entre mulheres na faixa de 40 a 49 anos.