Ator celebra reencontro com o elenco, fala sobre a parceria com Larissa Manoela e revela que a TV vai além do glamour (Oseias Barbosa/Divulgação) Após uma década, Marcelo Argenta volta a viver o personagem que marcou sua trajetória na TV. Com a continuação da novela Êta Mundo Bom!, agora rebatizada como Êta Mundo Melhor!, o ator revisita um papel querido pelo público e encara novas cenas, novos núcleos e a chance de aprofundar histórias que ficaram sugeridas na trama original. Entre gravações, workshops e projetos de cinema em fase de captação, ele conversou com o domingo+ sobre reencontros, bastidores e a importância de uma visão realista na formação de artistas. Como foi reencontrar o Lauro depois de dez anos? Você precisou fazer alguma preparação especial para revisitar esse personagem em uma nova fase da vida? Simplesmente incrível. Inimaginável voltar a fazer um personagem, principalmente na televisão, em uma novela! Não fiz nenhuma preparação específica para voltar a interpretá-lo. Na verdade, quando soube que faria a novela, em novembro de 2024, comecei a trazer mentalmente e fisicamente os trejeitos do personagem. Eu “ensaiava” em casa, repassando algumas cenas de que me lembrava de Êta Mundo Bom! Foi a forma como fui entrando novamente no universo do Lauro. Mas, pouco antes de começar a gravar, tive aulas de dança. Nessa continuação, Lauro irá frequentar o dancing. Na primeira trama, o romance entre Lauro e Tobias foi retratado de forma sutil, por conta do contexto da época. Agora, em Êta Mundo Melhor!, essa história será mais aprofundada ou ainda haverá uma abordagem mais discreta? Olha, sinceramente, eu não sei para onde Mauro Wilson, que assumiu a novela a partir do capítulo 30, vai levar essa história entre Lauro e Tobias. Eu gostaria muito que essa relação fosse aprofundada, mais desenvolvida. Mas, sendo mais aprofundada ou não, eu não tenho dúvidas de que será conduzida de forma sutil e discreta, assim como em Êta Mundo Bom!, por conta do horário e do público. Como está sendo a experiência de contracenar com novos personagens, como a Estela, da Larissa Manoela, e, ao mesmo tempo, reencontrar colegas do elenco original? Essa mistura muda o clima nos bastidores? Está tudo lindo, maravilhoso! Reencontrei colegas da versão original e também conheci o elenco novo que entrou. Contracenar com a Larissa (Estela) está sendo incrível, não só pela potência que ela é, mas também porque fazemos parte de um novo núcleo: o hospital. Na versão anterior, meu personagem só tinha a sala de atendimento. Agora, com esse núcleo, Lauro ganha mais evidência na trama, e muitos personagens vão passar por lá, o que me dá a chance de contracenar com vários atores. Isso me deixa muito feliz. Você tem viajado pelo Brasil dando workshops e treinamentos para atores. O que costuma ser a maior dúvida ou desafio de quem está começando na profissão hoje? A maior dúvida ou desafio é saber o que fazer, para onde ir e quem procurar. Muita gente tem dúvidas sobre o material de trabalho, por exemplo. Claro, cada caso é um caso. Procuro direcionar o que cada um precisa naquele momento: seja quem não tem nenhuma experiência, quem está começando ou quem já tem uma bagagem, mas está meio perdido. Você também orienta atores a terem uma visão mais realista do mercado. O que considera essencial para quem quer construir uma carreira artística sólida e com os pés no chão? Nos meus workshops, mostro a realidade da profissão. Existe o glamour da TV, e isso é o que predomina, mas a carreira vai muito além disso. E é isso que coloco nas conversas: a realidade. Às vezes, posso até assustar (risos), mas é importante que as pessoas entendam de fato onde estão entrando. Praticamente, acabo fazendo um direcionamento de vida. E todo esse meu “discurso” tem como base a minha trajetória: saí de casa com 21 anos, do interior do Rio Grande do Sul, filho de um caminhoneiro e de uma dona de casa, para ir ao Rio estudar teatro. Cada trabalho que conquistei foi fruto de muito estudo e esforço. É uma carreira construída tijolinho por tijolinho. Além da novela, você está com projetos no cinema em fase de captação. Pode contar um pouco sobre eles? Há vontade de se arriscar em outras funções além de atuar, como dirigir ou produzir? Estou envolvido em quatro longas, todos em fase de captação. Um no meu estado, o Rio Grande do Sul, dois no Rio de Janeiro e um no Espírito Santo. Dois desses projetos têm temáticas extremamente relevantes: um trata de uma família com um filho autista e o outro fala sobre saúde mental. Estou muito feliz também em voltar a trabalhar com o diretor Marcos de Brito, com quem já fiz um curta e um longa-metragem que tiveram grande relevância em festivais de cinema. Marcos é uma referência no cinema de gênero, horror e fantasia. Nesse novo projeto dele, que estou, é uma continuação do longa Condado Macabro, filme que teve e ainda tem grande destaque no cinema de horror. Sobre outras funções, acho que em algum projeto acabo me envolvendo também na produção, mas dirigir até o momento não penso.